Andrade Morettin Arquitetos Associados: Residência, Ubatuba, SP

Casa abriga-se sob caixa de telhas e telas metálicas

Uma caixa dentro de outra caixa. Ou uma caixa mágica na praia. Ambas as definições cabem na casa criada pela dupla Vinícius Andrade e Marcelo Morettin, em lote de frente para o mar, em Ubatuba, litoral norte de São Paulo. No entanto, a residência não pode ser visualizada da praia, pois fica escondida por uma larga área de preservação ambiental situada entre o terreno e a areia.

Plantas, cortes e fachadas
Fichas técnicas
Fornecedores
O galpão metálico convive com a mata nativa
Casa abriga-se sob caixa de telhas e telas metálicas
Uma caixa dentro de outra caixa. Ou uma caixa mágica na praia. Ambas as definições cabem na casa criada pela dupla Vinícius Andrade e Marcelo Morettin, em lote de frente para o mar, em Ubatuba, litoral norte de São Paulo. No entanto, a residência não pode ser visualizada da praia, pois fica escondida por uma larga área de preservação ambiental situada entre o terreno e a areia.
Neste projeto, valendo-se de experiências anteriores - principalmente as casas de Carapicuíba e de São Sebastião (leia PROJETO DESIGN 219, abril de 1998, e 318, agosto de 2006) -, os autores avançaram na pesquisa arquitetônica particular que desenvolvem em torno, sobretudo, da utilização de materiais industrializados. “É uma construção seca”, revela Vinícius Andrade. O desenho contrasta com as outras moradias na praia de Itamambuca, quase todas cobertas por telhas de barro. O projeto logo traz à lembrança a casa Latapie, em Floraic, França, de Lacaton & Vassal. “Certamente, eles são uma referência para o nosso trabalho”, diz Marcelo Morettin.
O pavilhão possui volumetria regular: 18 metros de comprimento, 8,5 metros de largura e 7,5 metros de altura. Elevado 75 centímetros do solo úmido da região, ele está implantado paralelo ao mar, acompanhando a geometria do lote e fazendo coincidir a fachada maior com a vista mais desejável, em direção ao oceano. Assim, o volume ganha independência em relação à hierarquia comum do terreno, com a face principal na lateral. As duas empenas menores (uma delas voltada para a rua) são fechadas com telhas metálicas galvanizadas do tipo sanduíche, as mesmas especificadas na cobertura. Se as três superfícies com telhas metálicas formam uma espécie de pórtico, elas também criam um vão, onde a casa se abriga.
As varandas do piso superior possuem aberturas laterais
A escada de madeira é externa à “caixa menor”
Requadros pivotantes permitem abrir toda a varanda
No outro sentido, as duas fachadas opostas, maiores, são delimitadas por tela metálica do tipo mosquiteiro. Dependendo do ângulo de observação, altera-se a percepção da volumetria: vista obliquamente, ela fica translúcida e ajuda a configurar o bloco maciço da “caixa maior”; de frente, ela se torna transparente e define-se o pórtico. Contudo, diferente da casa de São Sebastião, onde a tela é fixa, na face voltada para o mar de Ubatuba, com orientação sul, ela pode ser inteiramente aberta - isso porque são pivotantes os requadros de aço galvanizado em que está fixada. No lado que se volta para o lote vizinho, os requadros são fixos (com exceção da porta de entrada). “Pensamos, como primeiro ato, em criar um grande abrigo, uma ‘concha’, sob o qual poderíamos alojar o programa, protegido do sol forte e das freqüentes chuvas, e ainda assim permitir a permanente ventilação cruzada”, relata um trecho do memorial descritivo da casa.
Ambos os dormitórios do pavimento superior são ladeados por varandas
O mar visto da varanda do piso superior
O programa - sala, cozinha, dependências de serviço, quartos e banheiros - foi distribuído nos dois pisos da “caixa menor”, cuja estrutura de madeira, com vãos de 3 x 4 metros, apóia também a cobertura da “caixa maior”. Os ambientes do piso superior não possuem cobertura propriamente dita; em seu lugar só há forro. A “caixa menor” está deslocada do eixo longitudinal da maior, de forma a criar espaços vazios de tamanhos diferentes. Eles são intermediários entre o interior e o exterior, contribuindo para o conforto climático das áreas domésticas. “O cliente confirmou que a casa tem uma temperatura interna agradável”, relata Morettin. E o fechamento duplo não tem nenhuma relação com aspectos de segurança. “Isso fez parte do partido arquitetônico”, esclarece Andrade.
A materialidade simples faz lembrar os trabalhos de Samuel Mockbee e seu Rural Studio. Os fechamentos internos são de painéis de OSB (do lado de fora) e gesso acartonado (entre os ambientes). Para as venezianas, os autores desenharam furos redondos no OSB. As duas varandas laterais do piso superior possuem cobertura retrátil e todo o piso é de madeira: na varanda, deque; nos ambientes internos, tábua; e nos banheiros foi usada manta butílica sobre a madeira.
Texto resumido a partir de reportagem
de Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 333 Novembro de 2007

Marcelo Morettin e Vinícius Andrade formaram-se pela FAU/USP em 1991 e 1992, respectivamente, e são sócios no escritório Andrade Morettin Arquitetos Associados, em São Paulo
O duto da lareira atravessa o dormitório principal
O vazio posterior se configura como área de circulação

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 333

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