Arealis: Chazz no Brasil, São Paulo

Meio xadrez, meio jazz

Em um andar alto de um edifício corporativo de São Paulo, esta sede de uma empresa do ramo digital foi concebida com boa dose de liberdade. O projeto do escritório Arealis sintonizou a maneira com que o cliente se diferencia no mercado - mesclando criatividade e planejamento - para apresentar uma proposta na mesma tônica. Balanceando caos e ordem, desenhou interiores flexíveis e com divisórias translúcidas sobre a planta ortogonal, definindo ambientes para as mais variadas composições, situações e dinâmicas de trabalho

Replicando uma iniciativa de sucesso iniciada anos atrás em Madri, na Espanha, a Chazz - empresa de consultoria e marketing digital, braço do grupo espanhol Everis - resolveu estabelecer uma unidade na capital paulista. A concorrência para a sua instalação física foi realizada no início de 2018 e vencida pelo time do escritório Arealis, com uma solução flexível e descomplicada para uma área inferior a 300 metros quadrados, localizada em um emblemático edifício corporativo de São Paulo.

A sintonia entre a proposta apresentada e a identidade da marca - o nome Chazz deriva da fusão entre o jogo de xadrez (chess, em inglês) e o jazz, sugerindo a soma das características de ambos, tais como estratégia e racionalidade unidas a criatividade e improviso - explica a boa acolhida do projeto, na opinião de Enrico Benedetti, um de seus idealizadores.

A consonância entre a demanda do contratante e o método de trabalho aplicado pelo Arealis requer a revelação de um outro neologismo: no escritório de arquitetura paulistano, adota-se o termo “caórdico” para definir o equilíbrio entre caos e ordem necessário a um espaço de trabalho ideal, onde convivem liberdade e organização.

Com foco nesse paradigma, Enrico Benedetti e os demais integrantes da equipe conceberam, então, um lugar pouco setorizado e que pode ser facilmente rearranjado pelos usuários conforme a situação (permitindo acomodar diferentes grupos de trabalho em tarefas temporárias e para atividades específicas) e onde, em lugar de corredores, a circulação se dá por trilhas alheias à geometria.

Ou seja: sobre a base ortogonal de uma planta no Rochaverá Corporate Towers - de autoria do aflalo/gasperini arquitetos e exemplo do rigor do xadrez - desenharam-se os interiores com as formas sinuosas do jazz.

“O briefing era um vídeo do qual depreendemos a necessidade de encontrar soluções que contemplassem flexibilidade nas dinâmicas de trabalho, previssem um ambiente de informalidade e promovessem a conexão entre as pessoas”, continua o diretor criativo da Arealis.

Coração do lugar, o auditório/sala de eventos/área social foi pensado como um ambiente multiúso informal e voltado à convivência, de modo a evitar a subutilização que costuma acometer esse tipo de espaço quando resta isolado. Apenas uma arquibancada com dois níveis delimitaria o lugar, equipado com pufes, mesas e flip charts (itens móveis devidamente recolhidos no depósito próximo) conforme a ocasião.

Na copa, outro toque casual: além da bancada, pensou-se numa enorme mesa, apoio para reuniões informais, espaço sob medida também para receber clientes. “O que fazemos hoje é o oposto do que acontecia dez anos atrás, quando se acreditava no home office”, conceitua Enrico.

“Investimos em escritórios com jeito de casa, afinal é no trabalho que passamos a maior parte do tempo, pouca gente gosta de trabalhar isolada em seu apartamento.”

Na proposta, a planta retangular de 281,20 metros quadrados seria organizada internamente com a ajuda de curvas perceptíveis em diferentes camadas: piso, parede, teto. Isso se cumpriu até certa medida, sobretudo na divisória ondulada translúcida (feita com vidro U-Glass e cortina de malha metálica, que demarca apenas sutilmente o auditório).

Previram-se ainda salas de reunião e cabines para ligações telefônicas com outra materialidade, a fim de proporcionar a privacidade necessária. Os 18 funcionários da Chazz seriam, no mais, convidados a compartilhar um grande espaço comum com boa qualidade acústica.

Preocupada em favorecer a percepção de amplitude no espaço, a equipe de projeto decidiu eliminar quase todos os forros, aumentando em cerca de 1 metro o pé-direito. Outro ponto de atenção, a iluminação com pendentes lineares de LED, de diferentes tamanhos e orientação aleatória, visou reforçar o aspecto randômico.

A ideia foi trabalhar com a identidade corporativa da empresa e, portanto, utilizar acabamentos de tons amadeirados, preto e cinza, em materiais como cimento queimado, carpete têxtil e vinílico. Na entrada, letras magnéticas sobre chapa de aço formam a palavra Chazz - elas podem ser arrumadas de diferentes modos, outro indicador da intenção nada rígida da empresa.

  
Arealis

O escritório de arquitetura criado em 2005, na França, pelo empresário Jean‑François Imparato idealiza projetos corporativos no Brasil desde 2012, quando se estabeleceu em São Paulo e no Rio de Janeiro. Conta hoje com dois novos sócios, os arquitetos Enrico Benedetti, italiano, e Mariana Guedes, brasileira.



Ficha Técnica

Escritório Chazz no Brasil
Local
São Paulo (SP)
Início do projeto 2018
Conclusão da obra 2018
Área de intervenção 281,20 m²

Arquitetura Arealis - Jean‑François Imparato, Enrico Benedetti, Mariana Guedes, Pablo Gonzalez, Ana Paula T. Sanjar, Jenne Soares, Heloisa de Santis (equipe)
Sinalização Chazz
Gerenciamento do projeto Lygia Casanova, Marcelo Bellati e Cristina Pimenta
Obra civil e sprinklers PGF Construtora
Detecção Mario J. Oliveira (Smart)
Paisagismo Studio Terra e Vertical Garden
Fotos Maíra Acayaba

Fornecedores

TG (divisória de vidro U-Glass);
Beltech (carpete e piso vinílico);
Air Time (ar condicionado);
Ômega Light (luminárias);
Flexform (assentos);
Studio D’Lux (mesas);
Vitra (mesas rebatíveis);
Idélli Pacaembu (mesa de reunião);
Koral Contract (poltronas salão e cadeiras sala de reunião);
Fernando Jaeger (poltronas cozinha);
MaxDesign e Dikta (phonebooth);
Fahrer (banquetas);
Arthur Decor (cortina metálica);
ALX Marcenaria (marcenaria);
Tencor (películas decorativas),
Allsigns (sinalização);
Studio Terra (plantas naturais);
Vertical Garden (plantas preservadas)

Texto de Joana L. Baracui| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 450
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