Bernardes Arquitetura: Casa Península, Guarujá, SP

Na Ponta da Baía

Uma residência beira-mar, fragmentada em dois blocos separados por zona intermediária aberta, é do que trata o projeto do Bernardes Arquitetura. A implantação ocorre em um trecho de península cercado por baía, com vista ampla para o mar e espaços internos de grandes dimensões

As fotos feitas por Fernando Guerra com o uso de drone sugerem a implantação da casa isolada em meio à natureza. Na realidade, porém, ela está localizada em condomínio residencial do Guarujá, no litoral sul de São Paulo, em um prolongamento da costa para a água circundado por uma baía. A vista do mar é de 270 graus e, por causa do perfil íngreme da rocha, o acesso ao mar é possível por uma trilha.

Os arquitetos do Bernardes Arquitetura classificam o projeto como desprovido de terreno, categorização que se refere à serie de casas que já conceberam para implantações em lotes acidentados e à beira-mar. Thiago Bernardes, sócio-fundador do escritório, explica que a intenção inicial foi limitar a casa em altura e intervir o mínimo possível na rocha, cuja qualidade da já inexistente vegetação nativa procurou ser recuperada por meio do projeto paisagístico.Se pensarmos, contudo, no tamanho da casa (850 metros quadrados de área construída) e na sua situação geográfica, as prerrogativas arquitetônicas não eram tão fáceis de serem obtidas.

Por um lado, então, os arquitetos contiveram o programa em dois blocos horizontais, separados verticalmente pelo vazio intermediário da varanda aberta onde está localizada a piscina. Isso faz com que se perceba mais a largura do que a altura da edificação, de modo a se notar individualmente cada parte em vez de um volume unitário, maciço.

Ou seja, tanto a disjunção dos volumes quanto a ausência de vizinhança construída nas imediações confundem a percepção do tamanho da construção em relação àquele trecho alongado de morro, sobretudo porque a forma arquitetônica mais contundente - o bloco triangular suspenso, que abriga os quartos - é rotacionada para o leste, como se fosse recuada do mar.

Também os balanços agem no mesmo sentido, o de privilegiar vazios, fazendo com que a construção pareça em harmonia com o local.Nesse sentido, é importante mencionar o projeto estrutural, de autoria de Yopanan Rebello, setorizado em embasamento de concreto e volume superior feito com elementos metálicos. O engenheiro assinala que não apenas os balanços em si, mas também a ação dos ventos, foram aspectos determinantes do projeto, adotando-se, no volume metálico, treliças nas fachadas e transversalmente.Já sob o embasamento de concreto, um pilar misto em forma de árvore contribui para a sustentação da piscina, que está localizada na beira da casa, no seu pavimento intermediário.

Por fim, os materiais cumprem igualmente o papel de fazer com que a obra interaja com a natureza, com a seleção de materiais que mudarão de aspecto com o tempo, envelhecendo. As fachadas, assim, são revestidas com cobre e com placa cimentícia, respectivamente no segundo pavimento e no térreo, ambas dispostas verticalmente. 

  


Bernardes Arquitetura

O escritório Bernardes Arquitetura foi fundado em 2012 por Thiago Bernardes, após seu desligamento do escritório Bernardes Jacobsen Arquitetura. São seus sócios o administrador Nuno Costa Nunes e os arquitetos Marcia Santoro, Camila Tariki e Dante Furlan.



Ficha Técnica

Casa Península Local Guarujá (SP)
Área construída 850 m2
Início do projeto 2013
Conclusão da obra 2017

Arquitetura e interiores Bernardes Arquitetura - Thiago Bernardes, Dante Furlan, Camila Tariki, Fausto Sombra, João Faim, José Miguel, Marcelo Dondo, Ana Paula Endo, Antonia Bernardes, Marina Salles, Mariana Cohen
Ar condicionado, elétrica e hidráulica, piscina GRAU
Automação Gilberto Floriano
Estrutura Ycon Engenharia
Paisagismo Cenário
Luminotécnica Carlos Fortes
Construção MFC
Fotos Fernando Guerra - FG + SG Fotografia de Arquitetura 

Fornecedores

Topseal (placa cimentícia);
N.Didini (placas de cobre);
Lumisystem (caixilhos);
Bellas Artes (pedras);
Luminari (luminárias);
Dipanny (marcenaria, guarda‑corpo, escada social e portas de madeira);
Artecor (guarda‑corpos de vidro);
Eleve (estrutura, pergolado e escadas metálicas)

Texto de Evelise Grunow| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 443
  • 0 Comentários

ENVIE SEU COMENTÁRIO

Assine PROJETO e FINESTRA!
Acesso completo grátis para assinantes


Quem assina as revistas da ARCO pode acessar nosso acervo digital com mais de 7 mil projetos, sem custo extra!

Assine agora