Boldarini Arquitetura e Urbanismo: Residencial Alexandre Mackenzie, São Paulo

Reposicionamento de blocos para aproveitar o espaço

Projetado por Marcos Boldarini e Sérgio Faraulo, do estúdio paulistano Boldarini, o conjunto fica no bairro do Jaguaré, zona oeste de São Paulo

As cores se aliaram a soluções volumétricas simples mas expressivas e à implantação para dar ao Residencial Alexandre Mackenzie um lugar de destaque, tanto na paisagem como no panorama da atual produção arquitetônica dirigida às habitações de interesse social.  

O sol forte no início da tarde de uma sexta-feira do mês de outubro parecia tornar mais longa a caminhada entre a ponte do Jaguaré e a avenida Alexandre Mackenzie, zona oeste de São Paulo, onde, um mês antes, haviam sido entregues os primeiros blocos do Residencial Alexandre Mackenzie.

No meio do caminho, indagada sobre a localização da avenida, a moradora de um dos barracos alinhados à beira da marginal externa do rio Pinheiros responde com outra pergunta: “Você está procurando os prédios novos?”. Minutos depois, eles são avistados. Parecem um empreendimento privado. Comparando seu desenho ao da média do mercado imobiliário - incluindo edifícios mais sofisticados -, apresentam arquitetura até mais expressiva, em sua aparente simplicidade.

Ao custo de 130 milhões de reais, o residencial é resultado de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), que participou com 40% do total da verba, e a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), empresa do governo estadual, que entrou com os 60% restantes. O arquiteto Marcos Boldarini, que desde recém-formado desenvolve trabalhos em áreas de risco, reconhece que nos últimos anos a postura das autoridades municipais do setor mudou. Segundo conta, elas compreenderam que cada lote pode e deve ter uma solução arquitetônica específica.

E nesse processo, revela, a arquiteta Elizabeth França, superintendente de Habitação Popular da Sehab, é figura-chave.

No Residencial Alexandre Mackenzie, Boldarini teve o privilégio de desenvolver o projeto para um lote praticamente plano. A parte já concluída é composta por dois condomínios, um com seis e outro com sete blocos, totalizando 135 e 160 unidades de dois ou três dormitórios, com áreas de 48 e 50 metros quadrados. Os prédios, em forma laminar, têm quatro pavimentos, além do térreo. Não há elevadores, apenas escadas. O acesso às unidades nos pisos superiores se dá por circulação externa, semelhante a varandas guarnecidas por gradis metálicos. Compostas por lajes em balanço, elas também desempenham a função de beiral, protegendo as aberturas.

As unidades receberam esquadrias de alumínio pintadas de branco e medidores individuais de água, luz e gás. Algumas delas, localizadas no térreo, possuem desenho adequado para pessoas com dificuldades de mobilidade e contam com equipamentos especiais, como barras de apoio no banheiro e portas mais largas. Outro espaço raro em projetos do gênero é o solário/pergolado existente na cobertura de cada um dos blocos. Ali foram dispostos os reservatórios individuais de água e caixa-d’água para combate a incêndio. 

A implantação dos blocos - ora orientados de forma transversal, ora longitudinal em relação ao lote - dinamiza o conjunto e configura áreas de geometria variada entre os volumes. A solução, explica Boldarini, tenta evitar a formação de espaços confinados ou cantos mortos, ocupando os vazios com playgrounds e equipamentos de uso comunitário, além de elementos desenhados para uso dos moradores, adultos ou crianças. Jogos de xadrez, damas, bola de gude ou amarelinha são algumas dessas possibilidades.

Os tons escolhidos por Boldarini para pintar os edifícios são também elementos da composição plástica. De acordo com o arquiteto, a variação de cores nos blocos retrata a alegria e a energia dos moradores. No paisagismo foram especificadas 35 espécies de plantas, algumas delas árvores frutíferas. Além dos edifícios, o projeto do Alexandre Mackenzie é composto por um lote de 132 casas sobrepostas (em outubro, elas estavam em obras), igualmente desenhadas pelo estúdio.



Boldarini Arquitetura e Urbanismo
Marcos Boldarini e Sérgio Faraulo formaram-se pela FAU/ Universidade Brás Cubas em 1998 e 2005, respectivamente. Boldarini é titular do estúdio que leva seu nome, no qual se desenvolvem projetos de edifícios, urbanismo e paisagismo, com ênfase na urbanização de favelas e habitação de interesse social. Faraulo é colaborador do escritório desde 2006



Ficha Técnica

Residencial Alexandre Mackenzie
Local São Paulo, SP
Início do projeto 2008
Conclusão da obra 2009
Área do terreno 20.670 m2
Área construída 32.722,08 m2
Arquitetura Boldarini Arquitetura e Urbanismo - Marcos Boldarini e Sérgio Faraulo (autores); Simone Ikeda, Daniel Souza Lima e Marina Malagolini (colaboradores)
Paisagismo Boldarini Arquitetura e Urbanismo - Marcos Boldarini, Melissa Matsunaga e Simone Ikeda (autores)
Estrutura e fundações Somatec
Elétrica e hidráulica Laranjeira
Cliente Prefeitura de São Paulo/Secretaria Municipal de Habitação
Construção Schahin
Fotos Daniel Ducci

Fornecedores

Perfis ST (estrutura metálica de escadas e pergolado);
Duran (serralheria);
Oterprem (blocos de concreto estrutural);
PP Painéis (lajes);
Hervy (louças);
Romar (metais);
Villagres (revestimentos cerâmicos);
Reforços Pinturas (pintura);
Terni (execução de instalações elétricas e hidráulicas);
Brasilit (telhas);
SBA (esquadrias de alumínio);
Cutrale (batentes metálicos);
Cartesco, STM (portas);
Intercity (pavimentos externos);
Lao (brinquedos);
Neo-Rex (mobiliário urbano);
Paisagismo Mendonça (paisagismo);
Classinox (pias)

Texto de Adilson Melendez| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 358
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