Brasil Arquitetura: Residencial Bamburral, São Paulo

Comunidade se prepara para a cidade formal

Fichas técnicas
Plantas, cortes e fachadas

Conjunto residencial do Bamburral
Comunidade se prepara para a cidade formal
Um terreno pantanoso, alagadiço, onde a vegetação pobre e emaranhada é considerada imprópria para pastagem. Esse é o significado atribuído pelos dicionários ao termo bamburral. É num lote de descrição semelhante, cortado por um córrego e localizado em Perus, zona norte de São Paulo, que nos anos 1970 começou a se formar a favela do Bamburral, ocupação desregrada que o projeto do escritório Brasil Arquitetura está convertendo em cidade formal. Além das condições geográficas e topográficas adversas, a comunidade é vizinha de um aterro sanitário que funcionou até 2007.
O conjunto residencial que deverá surgir no Bamburral, em que as unidades habitacionais conviverão com área de proteção de mananciais, faz parte do programa desenvolvido pela Secretaria Municipal de Habitação (Sehab).
Conjunto residencial do Bamburral
A urbanização vem sendo realizada em parceria com a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente - como a comunidade está próxima do aterro Bandeirantes, onde foi instalada uma usina que queima o gás metano nele produzido, a venda de créditos de carbono originou parte dos recursos que serão utilizados nas obras.
A comunidade do Bamburral ocupou ao longo de quase 40 anos o vale do córrego de mesmo nome e encostas junto às suas margens. “O pequeno córrego nasce no interior da favela, na divisa com o aterro sanitário”, informa o memorial do projeto. Na época de chuvas mais intensas, o Bamburral transborda e em várias ocasiões já arrastou barracos e pontes precárias construídos pelos moradores.
Por isso os arquitetos Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz, titulares do Brasil Arquitetura, consideraram necessário remover todas as habitações existentes para dar início à intervenção. Assim foi possível reconduzir o curso d’água ao seu trajeto natural, proceder à estabilização das encostas e drenar o terreno.
Conjunto residencial do Bamburral

Aprovada a retirada das habitações, o projeto propôs criar no lote desocupado uma grande área livre e definiu um espaço de recreação com um pequeno parque gramado, árvores e ruas para pedestres.

Uma alameda central vai margear o córrego, que deixará de ser esgoto a céu aberto para tornar-se um riacho adequado ao lazer.As moradias foram acomodadas em cinco blocos verticais com seis andares e configuração retangular, que acomodarão 264 famílias. Todos os prédios são sobre pilotis.

“A verticalização permite liberar ao máximo o terreno para uso coletivo. Procuramos desencontrar os blocos para não criar áreas confinadas ou bloqueadas pelo sombreamento”, detalham os autores.

Outra preocupação dos arquitetos foi manter desimpedida a vista a partir das habitações. Os prédios serão edificados com estrutura convencional de concreto armado e alvenaria estrutural.

Os apartamentos terão 50 metros quadrados, com dois quartos, sala conjugada com cozinha, banheiro e área de serviço; faces opostas com aberturas para o exterior garantem ventilação e iluminação naturais.

Cada um dos blocos contará com área comum coberta, na qual haverá espaço destinado a uma sala de estudos. Equipamentos de recreação e lazer ficarão nos pilotis.

Apesar de ter sido a Sehab a levar adiante a urbanização do Bamburral, o trabalho do escritório Brasil Arquitetura ali é anterior ao interesse da secretaria pela área, relata Fanucci.

Conjunto residencial do Bamburral
Conjunto residencial do Bamburral
Uma das antigas colaboradoras do escritório realizava trabalho social voluntário no local e acabou por envolver o estúdio com a comunidade. Vem daí o ponto de partida para o esboço do projeto de urbanização, proposta que mais tarde seria incorporada pela administração municipal.

Texto de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 396 Fevereiro de 2013

Texto de Adilson Melendez| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 396
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