PERFIL

Três tempos

Brasil Arquitetura: SESC Registro e Museu e Memorial da Imigração Japonesa, Registro, SP

Em vez de um, selecionamos dois projetos do Brasil Arquitetura para essa seção de obras futuras. A proximidade física entre eles justifica a escolha, mas também a história que compartilham e o que ela tem a dizer sobre o processo - lento e não linear - da arquitetura no cotidiano do escritório. São eles: o novo Museu e Memorial da Imigração Japonesa e a ampliação do SESC Registro, ambos localizados no município pertencente ao Vale do Ribeira, em São Paulo.

Em 2015, o SESC ocupou as instalações do memorial que, inaugurado em 2002, fora incorporado ao programa do projeto que o Brasil Arquitetura começou a conceber em 1996 para a reativação do conjunto KKKK – construções de tijolo aparente que abrigaram até 1937 a Kaigai Kogoyo Kabushiki Kaisha (KKKK), empresa de acolhimento à imigração japonesa, localizada em Registro. O conjunto histórico é tombado na esfera estadual.

Os galpões do KKKK, contudo, não bastavam para atender a demanda do SESC e a instituição incumbiu o Brasil Arquitetura de criar um novo edifício a ser implantado nas imediações - próximo, mas não vizinho -, retomando a antevisão dos arquitetos que, em 1996, já pleiteavam a instalação do SESC no local.

Com programas esportivo e cultural similares, as edificações são intermediadas por uma praça e a sua interligação ocorrerá por via aérea através de uma passarela suspensa do solo. Ela parte em nível da cota alta da praça e chega ao primeiro pavimento da nova construção, percorrendo mais de 100 metros de distância, com vista para o rio Ribeira do Iguape. O novo bloco foi projetado em concreto aparente, pigmentado em cor que remete à dos tijolos do KKKK, e seu programa está aglutinado no primeiro andar - à prova de cheias. O térreo, em contrapartida, é um grande vão livre, de onde o visitante poderá avistar o rio e se proteger do sol.

Já o Museu e Memorial da Imigração Japonesa está sendo transferido para a outra lateral do Parque Beira Rio, também criação dos arquitetos. Será um pavilhão de concreto aparente e, como o SESC, suspenso do solo por causa das inundações. Por dentro, o programa expositivo ocupará o centro da planta, setorizado em duas metades, e o ligeiro deslocamento da entrada em relação a uma das laterais abrirá espaço para a inserção de uma sala de aula. Por fora, a fachada voltada para o rio, quase toda vedada, terá pequenas aberturas na forma de ícones japoneses.



Texto de Evelise Grunow| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 446
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