Carlos Bratke: Edifício Attilio Tinelli , São Paulo

Uma porta aberta para o verde

Com dez andares e 528 m2 de área média de laje, o edifício também se destaca na paisagem pelo vidro reflexivo do fechamento e pelo heliponto que se projeta sobre a fachada principal

O prédio tornou-se um referencial na região, onde está concentrada grande parte dos prédios mais modernos de São Paulo. A proposta era usar uma linguagem contemporânea, porém diferenciada do entorno. O fator determinante ficou por conta da presença rara de uma praça na frente do terreno. “Decidimos aproveitá-la voltando a caixilharia para o verde”, explica Bratke.

Esse foi apenas o ponto de partida para que ele fizesse um exercício geométrico e imaginasse um bloco de vidro contido em outro, com eixos centrais deslocados. A fachada parece ter sido recortada de forma a criar dois prismas, encaixados como se o volume central pudesse girar. “É uma porta que se abre, simbolizando um prédio que recebe o que vem de fora”, diz o autor.

Para evitar que esse deslocamento criasse a necessidade de mata-juntas nos pontos de encontro dos volumes, o arquiteto elaborou um desenho especial para as peças de concreto da fachada, que apresenta peitoril e verga, reduzindo o vão para a incidência de calor. O vidro reflexivo de 8 mm de espessura e em duas tonalidades, fixado pelo sistema silicone glazing em caixilharia de alumínio anodizado preto, funciona apenas como revestimento, valorizado pelo contraste com os detalhes de granito.

A ausência de marquise preserva o impacto visual da fachada e transfere para a calçada ajardinada o papel da transição entre o público e o privado. O acesso leva diretamente às áreas de recepção e espera do térreo, com 7,5 m de pé-direito, iluminadas a partir de sancas diagonais que formam planos sobrepostos.

Shafts para as instalações, forros de gesso rebaixados para a passagem de dutos, luminárias com refletor duplo parabólico e controle antiofuscamento para evitar reflexos nas telas dos computadores, além do piso elevado com 12 cm de altura, contribuem para a flexibilidade de uso do prédio.

A construção dispõe ainda de sistema central de ar condicionado com dois chillers e fan coils individuais por conjunto, sistemas de segurança e de automação predial, infra-estrutura para a instalação de fibra ótica para telefonia e dois grupos geradores de energia elétrica.

O prédio tem nove pavimentos-tipo, décimo andar diferenciado pelo mezanino e três subsolos para estacionamento. O coroamento é formado pelo heliponto de estrutura metálica, que se projeta para a frente da fachada principal, criando mais um detalhe marcante na paisagem do Brooklin.

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 252
  • 0 Comentários

ENVIE SEU COMENTÁRIO

Assine PROJETO e FINESTRA!
Acesso completo grátis para assinantes


Quem assina as revistas da ARCO pode acessar nosso acervo digital com mais de 7 mil projetos, sem custo extra!

Assine agora