Colunas

AsBEA e os novos empreendedores

Arquitetura! Esta é a resposta mais comum para a seguinte pergunta: “O que faz um escritório de arquitetura?” Se a resposta não está totalmente errada, está incompleta, o que a torna absolutamente enganosa. A arquitetura é apenas uma das atividades que acontecem em um escritório de arquitetura, é o ofício dessa empresa, mas não é sequer a primeira atividade que acontece em um projeto. Antes do primeiro esboço, existe um contrato. Minutas. Cláusulas. Escopo. Assinaturas.

Não me lembro de ter assistido a uma aula sobre contratos na faculdade e, não existia nenhuma disciplina que quisesse enquadrar assunto tão “enfadonho” mas, para nossa surpresa, o contrato é onde tudo começa, é o manual de instruções do projeto, então é melhor que seja bem feito.

Ótimo, contrato assinado, vamos logo projetar! Com as linhas ondulantes e maravilhosas de nossos mestres latejando em nossas lapiseiras, encaramos o terreno vazio, um papel em branco suplicando pela nossa criatividade. Quanta ansiedade! PDE, COE, LPUOS, NBR, IT... as regras do jogo ainda vêm antes de a partida começar. Poderia brincar disso até o fim deste texto, pois antes mesmo de um contrato de projeto, vem um contrato social, licenças de softwares, inscrições em órgãos públicos e muitas outras questões que diferenciam o ofício da atividade profissional.

Nos últimos anos, a recessão econômica do país criou uma onda de empreendedorismo que atingiu em cheio os arquitetos: por vontade própria ou pela escassez das ofertas de trabalho, se viram na posição de empresários. Essas novas empresas, muitas vezes individuais, subitamente se depararam com esse universo de obrigações tão importantes quanto o ofício em si... e o ambiente de empreendedorismo no Brasil é muito hostil... ao empreendedorismo!

A Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (AsBEA) há muitos anos convive com esse ambiente buscando soluções e ações que valorizem e melhorem o trabalho dos escritórios de arquitetura. A mudança do perfil das empresas de arquitetura no Brasil vem acontecendo independentemente das condições econômicas do país e é um fenômeno de escala global. Empresas menores, mais dinâmicas, colaborativas entre si e mais coletivas são o presente e não o futuro, mas as demandas do mercado também estão mudando.

Os projetos hoje são mais complexos, a legislação é mais severa, o público mais exigente e a comunicação é em tempo real. As empresas de arquitetura devem se preparar para um novo nível de exigência técnica e tecnológica se pretendem participar da economia global, e a AsBEA possui as ferramentas e expertise para orientar e colaborar no desenvolvimento dos escritórios de arquitetura brasileiros. Finalmente, vamos projetar?


Edison Borges Lopes e Henrique Mélega Re são, respectivamente, presidente e vice-presidente da AsBEA Nacional.

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 441
  • 0 Comentários

ENVIE SEU COMENTÁRIO

Assine PROJETO e FINESTRA!
Acesso completo grátis para assinantes


Quem assina as revistas da ARCO pode acessar nosso acervo digital com mais de 7 mil projetos, sem custo extra!

Assine agora