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Solução em aço na avenida Paulista

A sede do Instituto Moreira Salles, inaugurada em 2017, expressa contato direto com o entorno e a vida pública da famosa Avenida Paulista, em São Paulo. O projeto conquistou o cenário graças às estratégias da fachada translúcida e estrutura de aço

Em meados do segundo semestre de 2017, a sede do Instituto Moreira Salles abriu as portas como novo centro cultural paulistano. O edifício, projetado pelo escritório Andrade Morettin Arquitetos, sensibilizou ao internalizar a vida pública e se apropriar do desenho ortogonal e racionalizado - conceitos principais traduzidos, sobretudo, pela estrutura de aço adotada.

Fruto de um concurso organizado pelo próprio Instituto, em 2011, a proposta vencedora se conecta com o passeio já ao nível do térreo por meio do efeito de prolongamento do percurso iniciado pelas duas escadas rolantes de acesso ao quinto andar.

O convite é observar, de cima, a Avenida Paulista através do mirante frontal e, assim, comunicar-se visualmente com o tráfego de veículos e pessoas. Ainda, a conexão é estabelecida pelo sistema de “pele de vidro” especificado para as fachadas.

Estrutura racionalizada

A opção pela estrutura em aço foi decisiva tanto para demonstrar os conceitos de racionalidade e leveza na obra quanto viabilizar a construção em função da logística de canteiro - dado o estreitamento da pista neste ponto da Avenida Paulista. Edifício e fachada passaram a ser compostos por perfis e treliças metálicas.

Ainda durante a fase projetual, o processo de compatibilização entre os projetos de arquitetura e estrutura representou um dos momentos mais decisivos para o resultado que se buscava: “As limitações dimensionais das peças, em função das necessidades arquitetônicas, foram um dos grandes desafios do projeto”, afirmou o engenheiro Yopanan Rebello, da Ycon Engenharia.

Para atendê-las, portanto, foi proposta a modificação do aço empregado que, a partir do enriquecimento com nióbio A572 grau 60, resistiria à sobrecarga exercida sobre a estrutura: “A última geração de aço produzida no Brasil é o A572 grau 50, mas para essa obra a Gerdau produziu o aço com grau 60, enriquecido com nióbio, possibilitando o aumento da capacidade do edifício de suportar as sobrecargas mais altas do que as previstas pela norma, de 400 kg/m²”, explica o coordenador da obra, José Canal.

A estrutura das lajes passou a ser composta por lajes painéis, que se apoiam sobre as vigas metálicas - distantes 2,5 metros entre si, aproximadamente, cujas extremidades repousam sobre o core de concreto e a estrutura metálica das fachadas laterais. Essas, por sua vez, receberam três treliças cada uma, com alturas para suportar dois pavimentos.

Outro desafio foi a tal implantação no terreno situado em meio ao fluxo intenso do logradouro. A escolha pelo sistema pré fabricado em aço se adequaria perfeitamente à região, possibilitando o alto nível de planejamento da obra - condicionada à complicada logística de construção, que se restringia ao tráfego de caminhões na via, durante o dia, e à limitação de ruídos durante a noite. Todo o processo passível de adiantamento ocorria na fábrica, como união das peças por solda que, em sequência, eram direcionadas a um terreno vazio alugado próximo ao sítio no período noturno.


www.cbca-acobrasil.org.br 

Ficha Técnica

Instituto Moreira Salles, São Paulo
Conclusão da obra 2017
Área construída 8.662 m²
Arquitetura Andrade Morettin Arquitetos
Aço empregado ASTM A572 GR50 (ABNT NBR 7007 AR345); ASTM A572 GR60 (ABNT NBR 7007 AR415)
Volume de aço 400 toneladas
Projeto estrutural Ycon Engenharia, GOP
Execução da obra All’e Engenharia
Fornecimento da estrutura de aço Eleve Engenharia e Construções
Fotos Nelson Kon

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 450
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