Dávila Arquitetura: Edifício Via Ômega, Brasília

Atual, ancorado na tradição modernista

Uma reverência ao passado, sobretudo à arquitetura do setor residencial do Plano Piloto. É assim que o grupo empreendedor se refere ao Via Ômega, condomínio de apartamentos concluído no final do ano passado, na SQS 404, na capital federal. O projeto, do escritório Dávila Arquitetura, teve como premissa os pilares da tradição modernista, movimento que teve naquela capital seu mais vasto campo de (bem-sucedidas ou não) experimentações.

Como era previsível em razão da localização - a SQS 404, uma das quadras originais do Plano Piloto de Brasília, desenhado por Lucio Costa - e o bom senso aconselhava, ao ser contratado para desenhar o edifício residencial Via Ômega o escritório Dávila Arquitetura decidiu desenvolver a edificação em conformidade com os “pilares da tradição modernista”, assinalam os autores no memorial do projeto. Mas o arquiteto José Mauro Vilela, um dos integrantes da equipe responsável pelo trabalho, explica que, embora fiel aos cânones desse passado, era importante haver diversidade nas unidades, “para que pudesse acolher as necessidades de clientes e investidores”. Com a variação e a adequação das plantas “para otimizar o aproveitamento das áreas privativas e melhor composição da fachada em suas proporções, concebemos diferentes tipos de apartamentos, com um conceito moderno de lofts e dúplex, além de alguns ‘simplex’”, ele detalha. Ainda de acordo com o arquiteto, na capital federal são poucos os apartamentos do tipo loft e raros - se não inexistentes - aqueles com dois andares.

Outro aspecto do Via Ômega apontado por Vilela é a circulação comum, que ele avalia como hipereconômica. “Em um projeto convencional, um edifício como esse demandaria três pavimentos com circulação horizontal. Entretanto, graças ao layout interno, o acesso às unidades foi resolvido em apenas dois pisos, apenas um deles com circulação horizontal tradicional”, argumenta. Vilela considera também relevante o fato de a grande maioria dos apartamentos contar com ventilação cruzada, característica valorizada naquela cidade, sobretudo quando eles são compactos. A composição da volumetria e da fachada faz alusão aos conceitos de identidade, variedade e personalidade. O primeiro foi trabalhado com formas idênticas (o quadrado); o segundo, com figuras em proporções alternadas; e o terceiro, com cores variadas dispostas livremente. “O prédio utilizou um partido em pilotis com pé-direito duplo e solto do chão, em que somente a estrutura dos pilares toca o solo. Assim se asseguram a continuidade e a fluidez do espaço público, reforçado pelo entorno com paisagismo simples e limpo, que garante as visadas propostas”, descreve Afonso Walace, parceiro de Vilela na concepção do Via Ômega.

A obra do pintor holandês Piet Mondrian (1872‑1944) serviu de inspiração para a modulação da fachada principal. Já os generososos panos de vidro remontam à tradição modernista de integração entre interior e paisagem. Nas janelas, os brises móveis são outra referência a essa herança e, “ao mesmo tempo, movimentam a fachada e a tornam assimétrica”, pondera Walace. Também em homenagem ao período que marcou a implantação de Brasília, “utilizamos proporções áureas na estrutura das esquadrias, assim como propusemos superfícies de madeira e também de azulejos decorados com motivos geométricos no térreo, de maneira a formar grandes painéis decorativos - desenhados por Alexandre Mancini - nas áreas comuns”. A fachada é um amálgama de alumínio composto, brises de alumínio e vidros verdes, materiais que, além da eficiência energética e de execução, ajudam a revelar a sofisticação das formas e composições do prédio, avalia Wallace. Elevadores de última geração garantem a economia de energia, enquanto as fechaduras biométricas contribuem para a segurança dos moradores.

  

Dávila Arquitetura
O escritório Dávila Arquitetura foi constituído em 1989 pelo arquiteto Alberto Dávila (EA/UFMG, 1975), em Belo Horizonte. Atualmente, possui unidades regionais em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. José Mauro Vilela (EA/UFMG, 1985) e Afonso Walace (Instituto Metodista Izabela Hendrix, 1985) trabalham no Dávila há mais de duas décadas



Ficha Técnica

Edifício residencial Via Ômega
Local Brasília, DF
Data do início do projeto 2010
Data da conclusão da obra 2014
Área do terreno 640 m2
Área construída 8.100 m2
Arquitetura Dávila Arquitetura
Interiores May Moura Arquitetura e Interiores
Paisagismo Florart
Estrutura Quattor
Fundações Embre
Hidráulica Sam Marco
Ar condicionado e exaustão Stermic
Automação e telefonia Easy Energy
Luminotécnica, elétrica, combate a incêndio, incorporação e construção Via Empreendimentos Imobiliários
Fotos Joana França

Fornecedores

Santa Clara (esquadrias)
Knauf Drywall (projetos de parede e forro de gesso acartonado)
Mais Design (adornos, tapetes e obra de arte)
Deca (torneiras e louças)
Cebrace (vidros)
Portobello, Atlas (cerâmicas e porcelanatos)

Texto de Adilson Melendez| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 423
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