Edição 442: Trabalho de prospecção

 

Perguntado sobre a carência de encomendas de projetos públicos de arquitetura e urbanismo atualmente no Brasil, o arquiteto Paulo Mendes da Rocha foi enfático ao negar a distinção entre público e privado na criação arquitetônica. Ele participava, em março, do Fórum Internacional de Arquitetura e Construção da Expo Revestir, em São Paulo, junto com o arquiteto japonês Toyo Ito, e foi com tal negativa que, respondendo a uma pergunta vinda da plateia, afirmou que no momento em que a ideia vira coisa, no caso, arquitetônica, ela se torna fatalmente pública. Imagino que tanto no que diz respeito a se tornar conhecida quanto ao descontrole sobre o seu destino. Publicaremos na edição 443 da Revista PROJETO a transcrição completa do debate, mas a menção à fala de Mendes da Rocha serve aqui para refletir sobre o trabalho de prospecção dos arquitetos.

Visitando o Rio de Janeiro, também em março, como parte dos preparativos da matéria sobre o RAF Arquitetura e suas parcerias internacionais de projeto, publicada na seção Perfil desta edição, era como se eu vivenciasse uma realidade paralela. Enquanto dirigia pela cidade, Aníbal Sabrosa, um dos sócios fundadores do escritório, apontava aqui e ali projetos passados ou presentes do RAF, de transformação de edificações abandonadas, ou ociosas, em algo que ainda não vieram a ser. Somadas, tais iniciativas quase enganam porque, escutando a fala serena de Sabrosa, habituado a buscar oportunidades de trabalho em vez de esperar apenas pela encomenda do cliente, a impressão era de que uma vez que existe o projeto, e ele faz sentido, haverá a sua realização.

Sabemos que não é essa a verdade, mas tamanha pujança de ideias é o que move as cidades. Mais cedo ou mais tarde os projetos acontecem, viram coisa - edifícios, praças ou o que quer que seja -, assim como se tornaram realidade as duas obras que publicamos no Perfil do RAF Arquitetura: o Aqwa Corporate, edifício de escritórios idealizado pelo escritório Foster + Partners e que teve a participação dos arquitetos brasileiros no seu desenvolvimento, e o Centro de Pesquisa & Inovação da L’Oréal, criado pela Perkins + Will junto com o RAF. Ambas estão localizadas em áreas que por muito tempo ficaram alheias ao desenvolvimento imobiliário - a região portuária, no primeiro caso, e o encontro da Ilha do Fundão com a Ilha do Bom Jesus da Coluna, no segundo - e, agora concluídas, lançam a pergunta sobre a viabilidade ou não da ideia de cidade que motivou a criação dessas obras. Só o tempo poderá responder se a região portuária do Rio de Janeiro irá se adensar tanto quanto previsto pelos indicadores urbanos da operação Porto Maravilha, e com que programa isso ocorrerá.

Apresentamos também um conjunto de projetos de espaços de trabalho, tanto de edificações quanto de interiores corporativos. Eles são originários do Rio Grande do Sul (Edifício Vint Offices, de autoria do Hype Studio; e o escritório da Thyssenkrupp, idealizado pelo Arquitetura Nacional); do Distrito Federal (Edifício SIA 600, do Coda Arquitetos); do Rio Grande do Norte (Edifício Hermes 880, de Felipe Bezerra); e de São Paulo (a dobradinha de arquitetura e interiores no projeto do Edifício Girassol e agência Ampfy, por RMAA Arquitetos e SuperLimão Studio); o coworking Impact Hub, do Luiz Paulo Andrade Arquitetos; e a nova sede da Futurebrand, idealizada pela própria agência, em parceria com Athié Wohnrath Arquitetos.

Na seção Finestra, ao lado da matéria sobre as diretrizes do projeto de fachadas eficientes em termos energéticos, Gilmara Gelinski detalha o projeto das fachadas e dos revestimentos externos do Aqwa Corporate, também tema de matéria na seção Perfil, e explica a conexão entre o partido arquitetônico e os pormenores das fachadas envidraçadas do complexo de escritórios do Comercial Ion, projetado pela equipe do Dávila Arquitetura, em Brasília. Por fim, publicamos a entrevista com o arquiteto Marcelo Barbosa, sobre a sua pesquisa e livro a respeito do arquiteto alemão Franz Heep, que viveu no Brasil entre as décadas de 1940 e 1970.


BOA LEITURA!!!

 

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 442
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