Edição 449: Casas

Residências unifamiliares são o tema desta edição 449 da revista PROJETO. São nove projetos na seção Escalas, mais dois em Perfil (sobre o escritório Reinach Mendonça Arquitetos Associados) e outros quatro na seção Arcoweb, na qual publicamos os destaques das matérias recentes do nosso portal.

As casas possuem de 215 a 2,6 mil metros quadrados de área construída, localizados na cidade, em condomínio particular ou em área rural. À variedade de situações dos projetos, bem como das especificidades dos seus programas, soma-se os diversos raciocínios criativos dos arquitetos, configurando-se uma coletânea interessante e elucidativa sobre a prática arquitetônica.

No projeto do escritório Andrade Morettin Arquitetos (Casa P.E., São Paulo), destaca-se - além da sensibilidade no uso de componentes industrializados de modo a se conformar uma domesticidade aconchegante - o controle da luminosidade natural, sendo a integração dos espaços interiores com o exterior o mote da arquitetura. Sobrepõem-se, assim, vários filtros (brises verticais, horizontais e telas translúcidas) associados às superfícies de vidro, havendo uma gradação sutil de luz que equipara fora e dentro.

Já o caminhar pela casa é o que motiva o projeto do Grupo SP (Casa em Itu, São Paulo), localizado em terreno de condomínio privado onde são grandes as distâncias entre propriedades. Por isso, os núcleos domésticos é que criam a diversidade de situações (relações entre o construído e o natural) da arquitetura, tendo como elemento articulador uma rampa de suave inclinação, contida em volume alongado de concreto armado.

Igualmente nuclear é o projeto do Bernardes Arquitetura (Casa Bela Vista, Campinas), hábil em lidar com os desafios do inserir‑se na imensidão da natureza sem perder de vista a escala humana da arquitetura.

Situação similar, a priori, possui o projeto de Luiz Américo Gaudenzi (Duas Casas no Lago, Petrópolis), mas o habitar a mata irrestrita é, aqui, uma condição manejada com maior intimismo. Há uma clara distinção entre o construído e o natural (a casa é suspensa do solo e está toda contida em uma plataforma linear) e a vista para a natureza é algo a que se acede com parcimônia.

O nome do projeto de Laurent Troost (Casa Campinarana, Manaus) cita o tipo de mata em que está inserida, em um condomínio privado da capital do Amazonas. Frente à particularidade do clima, rigoroso, a arquitetura é estratégica em manejar o sombreamento dos ambientes, posicionando no pavimento elevado - sob uma generosa cobertura metálica - os setores sociais, de maior permanência.

Em outros dois projetos o desenho da cobertura é também o ponto de partida da arquitetura: Casa R.A., de Brasília, do Estúdio MRGB (a elevada inclinação do telhado metátilo de duas águas conforma a volumetria externa e a espacialidade interna do bloco principal do projeto) e Casa C.R., de São José dos Campos, do Obra Arquitetos (o telhado de uma água é visto sem obstáculos, por dentro e por fora da edificação).

Por fim, o projeto do Bloco Arquitetos (Casa dos Pórticos, Brasília) nos autoriza a repetir o clichê do fazer mais com menos - os vários ambientes são criados a partir da repetição de dez pórticos de concreto - enquanto que a implantação do projeto de Jaime Cupertino (Casa Joazeiro, São Paulo), é exemplar do bem inserir-se em meio à cidade consolidada.

BOA LEITURA!

Texto de Evelise Grunow| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 449
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