Edifícios Corporativos: Anos 90

Migração para reduzir custos

Migração para reduzir custos
Há uma migração, por motivos econômicos, em direção a regiões menos valorizadas. Esses projetos são marcados pela horizontalidade e pela incorporação de equipamentos e de infra-estrutura - como restaurantes, áreas de convivência e estacionamento - comuns no meio urbano.

Esse é o caso do edifício da presidência do grupo Itaúsa (1990/91; PD 150), de Jaime Cupertino e Javier Manubens. Implantado numa área em transformação da zona sul de São Paulo, junto ao Centro Empresarial Itaú Conceição (construído na década anterior), o projeto, um cubo de vidro apoiado em um volume central, diferencia-se das três torres gêmeas existentes. Por meio de parceria com a Empresa Municipal de Urbanização, o grupo reurbanizou a área entre uma estação de metrô e um parque, criando generoso espaço público.

Caso semelhante é o da sede administrativa da Basf (1991/94; PD 182), de Roberto Loeb e Ricardo Julião, em São Bernardo do Campo-SP. O conjunto foi definido, inicialmente, por 5 construções horizontais: 4 lâminas e um quadrado, distribuídos em torno de um eixo radial que criou, por meio de praça e espaço de convivência, um espaço de caráter urbano.

Em alguns desses edifícios administrativos, o programa evoluiu, abrindo-se para a comunidade local. É o caso da Softhouse da Xerox (1992/94), de Alexandre Feu Rosa, localizada em Vitória. A empresa foi instalada em dois edifícios acentuadamente horizontais: um linear, ocupado pelo centro de tecnologia e a filial local; o outro, em forma de semicírculo, abriga um centro cultural, com salas de exposições e auditório.

Já em Minas, Sylvio de Podestá e Benedito Moreira projetaram a sede da Microcity (1995/97; PD 213), implantada em local bucólico próximo à serra e a Belo Horizonte. Ali, os autores criaram, inserida na estrutura pré-moldada de concreto, uma volumetria de fechamento independente, coberta por estrutura metálica em curva.

Um destaque:
o More Business Center, em Curitiba

Fora do eixo Rio-São Paulo, um pequeno edifício em Curitiba mostra a nova face da arquitetura brasileira. Projetado pela dupla Mario Biselli e Artur Katchborian, o More Business Center (1995/97; PD 218) abriga um escritório de advocacia. É evidente a disposição dos autores de criar arquitetura contemporânea a partir de uma mistura de influências, nacionais e internacionais.

O programa foi dividido em dois volumes. Um possui formato de prisma quadrangular, com a primeira metade liberada para o vazio, enquanto a outra metade abriga a maior parte do programa, em três pisos. O segundo volume, baixo e todo em concreto, contém um auditório e está angulado em relação ao primeiro. O vazio no interior da edificação maior é vislumbrado do exterior graças a um grande plano de vidro, que confere leveza e transparência ao conjunto.

A face interna da metade ocupada é revestida de arenito vermelho, transformando essa grande superfície, com aberturas irregulares, numa segunda fachada do edifício. O relacionamento entre o prédio e a cidade se dá por essa transparência. O projeto foi construído com uma série de materiais e elementos - ora regulares, ora irregulares - que se inter-relacionam por meio da modulação e da superposição de tramas. A cobertura é marcada por uma grande aba em chapas de cobre.


Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 250 Dezembro de 2000

Edifício-sede do Grupo Itausa, São Paulo, projeto de jaime Cupertino e Javier Manubens
Foto: Rubens Mano
Softhouse Xerox, em Vitória-ES, de Alexandre Feu Rosa
Foto: Humberto Capai
Microcity, em Belo Horizonte,
por Sylvio de Podestá e Benedito Moreira
Foto: Tibério França
More Business Center, em Curitiba-PR, projeto de Mario Biselli e Artur Katchborian: linguagem internacional
Fotos: Nélson Kon

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 250

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