Gesto Arquitetura: Centro de Tecnologia, São Paulo

Desenho estimula interação e criatividade

Arquitetura e desenho que atuam no sentido de estimular a criatividade e a interação entre as equipes estão na essência da proposta do escritório Gesto Arquitetura para o centro tecnológico da Libbs. A ser construído no Jaguaré, zona oeste da capital paulista, o complexo é constituído por dois blocos e unificará as operações administrativas e a área de pesquisas clínicas da farmacêutica

Fundada há 60 anos, a Libbs é uma indústria farmacêutica de capital nacional que possui fábrica em Embu das Artes, na região metropolitana de São Paulo, onde também funciona seu Centro de Desenvolvimento Integrado. Já as operações administrativas, como as de vendas e marketing, têm como endereço a Barra Funda, bairro da zona oeste paulistana.

Embora trabalhem de forma complementar, o fato de estarem fisicamente afastados cria algumas dificuldades de intercâmbio entre setores que atuam mais próximo do público, na capital, e os pesquisadores, baseados em Embu das Artes. Quando resolveu juntar essas operações no futuro centro tecnológico, a empresa convidou três escritórios para uma concorrência, da qual o Gesto Arquitetura, liderado por Newton Massafumi e Tânia Parma, foi o vencedor.

A região da capital paulista - o Jaguaré, bairro vizinho da Universidade de São Paulo que o governo do Estado quer converter em um polo tecnológico - estava decidida e o terreno em vias de ser negociado, mas o preço solicitado pelo proprietário inviabilizou a aquisição. Com o projeto definido, o escritório também se incumbiu de pesquisar outro terreno nas imediações, relata Massafumi.

As negociações prosperaram com uma antiga área industrial de quase 20 mil metros quadrados, ocupada nos últimos anos por um kartódromo. O terreno mudou, mas o partido previsto – que parte do princípio da ampla integração – se manteve. Contudo, a dimensão maior do novo lote permitiu ampliar áreas livres, diluindo a massa construída em meio a uma praça suspensa que é também um parque.O terreno localizado na esquina das avenidas Jaguaré e Kenkiti Simomoto facilitou a implantação, pois uma rotatória existente neste ponto foi aproveitada para posicionar a entrada principal do conjunto.

Em abril do ano passado, quando houve o lançamento oficial do centro tecnológico, o presidente-executivo da Libbs, Alcebíades de Mendonça Athayde Júnior, observou que o complexo terá uma arquitetura que vai estimular a criatividade e a interação entre os profissionais da empresa. O escritório de arquitetura distribuiu o programa em duas edificações. A mais alta (com seis pisos e subsolo) reunirá os espaços de trabalhos de pesquisadores e das outras equipes e fica na lateral esquerda do terreno. À direita, em meio à área dos jardins/parque, está o bloco mais baixo onde foram posicionados refeitório e auditório. Duas passarelas cobertas conectam os edifícios pela cota do térreo. No centro do prédio mais alto, os autores criaram um grande átrio que percorre todos os pavimentos, com o vazio operando como elemento de integração visual entre os pisos.

O tratamento dispensado ao térreo da torre aboliu a compartimentação, tornando-o uma espécie de sala de espera, com áreas de estar capazes de agregar as pessoas - visitantes ou os próprios funcionários – e de se oferecerem como postos de trabalho informal. “Criamos, já na entrada, uma ambientação diferenciada”, explica o arquiteto. A ideia é que esse pavimento, onde haverá espaço para a exposição dos produtos da Libbs, faça parte do ambiente coletivo.

Ambas as construções, informa Massafumi, farão uso de estruturas metálicas – o bloco onde ficará o auditório terá cobertura envidraçada com estrutura em madeira laminada. Já a torre possui panos verticais envidraçados, alternando se com um ripado de madeira biossintética - a estudada irregularidade e alternância entre os dois materiais permitirá a entrada de iluminação natural, ao mesmo tempo que traz um interessante movimento a esse plano do edifício.

No topo da edificação haverá um terraço descoberto além de equipamentos para captação de energia eólica. Massafumi informa existir uma significativa corrente de vento proveniente das zona sul e sudeste da capital, que chega ao Jaguaré pela calha do rio Pinheiros e irá movimentar esses equipamentos.

 
Gesto Arquitetura
Newton Massafumi (Faculdade de Arquitetrua e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU USP 1977) e Tânia Parma (FAU/USP 1977) são sócios no Gesto Arquitetura, escritório que constituíram em 1981. Entre os vários projetos do Gesto estão o do hotel Almenat, no Embu das Artes (SP), e o Natura Eco Park, em Benevides (PA), além do Parque Teixeira Soares, em Marcelino Ramos (RS).



Ficha Técnica

Centro de Tecnologia Libbs
Local São Paulo, SP
Início do projeto 2016
Área do terreno 19.798,18 m2
Área construída 7.394,08 m2

Arquitetura Gesto Arquitetura - Newton Massafumi e Tânia Regina Parma (autores); Bruno Mentone, Diego Brentegani, Rodrigo Dias, Otávio Maringoni (colaboradores); Silvana Zhu e Patrícia Machado (estagiárias)
Paisagismo Jorge Sakai & Cia, Koiti Mori Arquitetos
Luminotécnica Foco Luz & Desenho
Estrutura Companhia de Projetos
Fundações e contenções Ludemann Engenharia
Elétrica e hidráulica Bom Contato Engenharia
Ar condicionado Planenrac Engenharia Térmica, Garneira Engenharia
Consultoria farmacêutica Troubleshooting Consultoria Farmacêutica
Orçamentos Tecveda Engenharia e Construções
Sondagem Solo Engenharia
Projeto do laboratório SPL Engenharia
Segurança Bettoni Automação
Aprovação ambiental Krav Consultoria Ambiental 
Aprovação Projeto Legal Consultoria
Impermeabilização Aquaproof  Impermeabilizações Inovatech Engenharia
Consultoria de certificação Inovatech Engenharia

Texto de Adilson Melendez| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 441
  • 0 Comentários

ENVIE SEU COMENTÁRIO

Assine PROJETO e FINESTRA!
Acesso completo grátis para assinantes


Quem assina as revistas da ARCO pode acessar nosso acervo digital com mais de 7 mil projetos, sem custo extra!

Assine agora