PERFIL: Gui Mattos Arquitetura

Estar e apreciar a gastronomia

Em geral, a contratação do escritório Gui Mattos Arquitetura acontece por iniciativa dos clientes. Essa prática, porém, foi interrompida no caso do D.O.M. Hotel, empreendimento que será construído em um terreno de quase 1.500 metros quadrados , na esquina da Alameda Franca com a rua Augusta, no Jardim Paulista, em São Paulo – na Augusta, o lote faz divisa com a Galeria Flórida, centro comercial com o qual está sendo estudada a possibilidade de interação. No caso do hotel, foi o arquiteto Gui Mattos quem manifestou aos clientes – entre eles, Alex Atala, um dos mais conhecidos chefs de cozinha do Brasil – o interesse em desenvolver o projeto.

Há algum tempo Atala – que está à frente dos famosos restaurantes D.O.M. e Dalva e Dito - pensava em ampliar sua atuação como empresário. A ideia do hotel se consolidou com o apoio de um grupo de investidores que prevê para os próximos anos o retorno da demanda por serviços de hospedagem aos patamares do período pré-crise. Mattos convenceu os clientes e sua equipe desenvolveu uma proposta – um estudo de risco, como se diz no jargão do mercado imobiliário - que cooptou os empreendedores. O projeto estava previsto para dar entrada para aprovação até o final de dezembro de 2017.

Das dezenas de projetos já desenvolvidos pelo escritório, o D.O.M. Hotel é o mais alto: são cerca de 120 metros. O conjunto aproveita plenamente as condições previstas no plano diretor paulistano, como, por exemplo, fruição pública, fachada ativa e mistura de funções, explica o arquiteto José Rocha, um dos coordenadores do escritório. O terreno está no limite de um Zona de Estruturação Urbana (ZEU), o que favorece a mistura de funções e permite gabaritos mais altos, ele informa. No conjunto, a parte intermediária da torre será ocupada pelas unidades de hospedagem e os andares mais altos serão residenciais.

O D.O.M será um hotel urbano que não pretende concorrer com unidades próximas de redes mais luxuosas. Seu apelo principal será a gastronomia: localizados no térreo e com acesso direto da rua, os restaurantes de Atala serão âncoras do empreendimento. Mais larga, a base da edificação contará ainda com um espaço para eventos de médio porte, restaurante do hotel e instalações técnicas das cozinhas. O acesso ao hotel se dará pela alameda Franca, mas haverá conexão entre essa via e a rua Augusta por uma praça. O lobby elevado - na altura equivalente à de oito pavimentos - também funcionando como uma praça. Sobre a base mais larga – que terá faces protegidas por uma trama de madeira tratada – ergue-se a torre, cujos primeiros 20 pavimentos reunirão 152 unidades de hospedagem. Um pavimento destinado ao spa/academia de ginástica faz a conexão com a parte residencial do conjunto.

Fecham a composição os apartamentos que medem 65 metros – duas unidades da cobertura terão 100 metros cada. A composição plástica das fachadas tomou como base a bagagem cultural e as influências incorporadas pelo chef tanto na sua culinária como nos objetos que adquiriu ou recebeu– “ele está longe de ser clean”, diz Rocha. Assim, a composição plástica remete a peles de animais, ficando a estrutura à mostra, como um exoesqueleto, com o fechamento em vidro dissimulando essa capa, que surge como chanfros dos pilares em concreto no qual se apoiam as lajes protendidas.



Texto de Adilson Melendez| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 441
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