Isay Weinfeld: Espaço Havaianas, São Paulo

Loja de sandálias é praça coberta no coração dos Jardins

Concorrendo com dez edificações, o projeto de Isay Weinfeld para o Espaço Havaianas foi o vencedor na categoria Compras da segunda edição do World Architecture Festival. Em meio a centros comerciais de médio e grande portes na Ásia, Europa e América Central, a loja se destacou pelo partido de praça, implantada no coração da região dos Jardins, em São Paulo.

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A edificação tem ares de espaço aberto, marcado pela horizontalidade do pórtico frontal
A edificação tem ares de espaço aberto, marcado pela horizontalidade do pórtico frontal
Loja de sandálias é praça coberta no coração dos Jardins
Concorrendo com dez edificações, o projeto de Isay Weinfeld para o Espaço Havaianas foi o vencedor na categoria Compras da segunda edição do World Architecture Festival. Em meio a centros comerciais de médio e grande portes na Ásia, Europa e América Central, a loja se destacou pelo partido de praça, implantada no coração da região dos Jardins, em São Paulo.

A intenção da arquitetura foi simbolizar o espírito casual, confortável e jovem da marca, criada em 1962. Nesses 47 anos que se passaram entre a gênese do produto e a criação do espaço institucional que reúne a totalidade de seus modelos e linhas - há cerca de 320 exemplares de sandálias na loja -, a Havaianas conquistou grande prestígio no Brasil e no exterior. “Comunicar a brasilidade da marca”, assinala o arquiteto, era um dos desafios do projeto.

O resultado tem a aparência de uma não-edificação, um espaço vazio e rebaixado em relação à cota pública, que preza a indefinição dos limites de paredes, pisos e coberturas, embora a implantação ocorra em terreno de miolo de quadra. A intenção foi resgatar a ambiência de espaço aberto, praiano, vinculada à identidade visual da marca.

A modulação da cobertura é o elemento mais evidente da arquitetura, compondo mosaico sutilmente irregular de espaços vazios, sistema zenital de iluminação, nichos de climatização e de sonorização, entre outros
A modulação da cobertura é o elemento mais evidente da arquitetura, compondo mosaico sutilmente irregular de espaços vazios, sistema zenital de iluminação, nichos de climatização e de sonorização, entre outros
O fechamento envidraçado é feito por portas deslizantes na vertical, armazenadas em nicho escavado no subsolo
O fechamento envidraçado é feito por portas deslizantes na vertical, armazenadas em nicho escavado no subsolo
A simplicidade e a aparente horizontalidade da loja se contrapõem ao entorno
A simplicidade e a aparente horizontalidade da loja se contrapõem ao entorno

Da Oscar Freire - a rua de comércio mais sofisticado de São Paulo -, não se veem vitrines ou recursos gráficos mirabolantes, mas um pórtico branco com altura externa de três metros e a largura total do lote. Sua elogiosa proporção horizontal é a geratriz da arquitetura, dado que a ocupação da loja se desenvolve na descendente, a partir dele, concentrada no pavimento inferior. O pórtico delimita uma espécie de largo que prolonga o passeio público no espaço interno da edificação, cujo fechamento é feito com portas de vidro armazenadas em berço escavado no subsolo.

A cobertura da loja é o mais evidente elemento arquitetônico, constituído pela trama ortogonal e de modulação sutilmente irregular que acompanha o distanciamento de dois metros entre as vigas metálicas transversais. Alternam-se, nesse mosaico do teto, espaços abertos - junto ao encontro com as divisas laterais -, fechamentos envidraçados ou feitos com ripado, assim como módulos de climatização e outros dedicados ao sistema de iluminação artificial ou de sonorização dos interiores.

Em diálogo com a arquitetura despojada, contudo, existe um complexo sistema de setorização e apresentação dos produtos, que o arquiteto transformou em tema através de formas geométricas. Elas contextualizam setores autônomos no amplo espaço da loja, a exemplo do cubo interativo da entrada. Este foi desenvolvido em parceria com o designer Marcello Dantas e é formado por 51 telas especiais de plasma exibindo, em ritmo acelerado, animações que versam sobre o conceito da marca.


Texto de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 359 Janeiro de 2010

Isay Weinfeld formou-se em 1975 pela FAU/Mackenzie, onde lecionou teoria da arquitetura. É autor de projetos de arquitetura e interiores premiados no Brasil e no exterior - recebeu, entre outros, o grande prêmio Mipim Architectural Review Future Project Award 2009 -, bem como de trabalhos na área de cenografia, design de mobiliário, direção cinematográfica e direção de arte de espetáculos
Rebaixado, o espaço para customização das sandálias está localizado à esquerda. Em destaque, o jardim que ocupa as laterais da loja
Rebaixado, o espaço para customização das sandálias está localizado à esquerda. Em destaque, o jardim que ocupa as laterais da loja
Na ambiência despojada e jovial prevalecem formas geométricas, materiais naturais nos revestimentos e a cor branca
Na ambiência despojada e jovial prevalecem formas geométricas, materiais naturais nos revestimentos e a cor branca
O pátio de entrada oferece visão panorâmica da loja
O pátio de entrada oferece visão panorâmica da loja
Marcello Dantas fez a curadoria do cubo de projeções, constituído por 51 telas especiais de plasma, que não possuem borda
Marcello Dantas fez a curadoria do cubo de projeções, constituído por 51 telas especiais de plasma, que não possuem borda
A singela tenda reúne os modelos tradicionais das sandálias
A singela tenda reúne os modelos
tradicionais das sandálias
Na parte posterior, um contêiner metálico foi dedicado aos modelos de exportação
Na parte posterior, um contêiner metálico foi dedicado aos modelos de exportação

Texto de Evelise Grunow| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 359

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