Luís Antônio Reis: Edifício público Interlegis, Brasília-DF

Moderno, como pede a cidade

Moderno, como pede a cidade

“A Interlegis permite a formação de uma comunidade virtual do Poder Legislativo, utilizando a Internet como tecnologia de suporte”, explica Luís Antônio Reis. Com o projeto da sede desse organismo, o arquiteto dá continuidade a sua trajetória profissional em Brasília, na qual se incluem obras dignas da tradição arquitetônica da capital federal.

No projeto da Interlegis, Reis não buscou a originalidade a qualquer custo; procurou, ele explica, manter as mesmas proporções dos prédios vizinhos, seguindo a orientação dos anexos dos ministérios.
A intenção foi preservar a harmonia do conjunto arquitetônico existente. Brises-soleil de alumínio protegem o edifício nas fachadas leste e oeste, mais afetadas pela forte insolação de Brasília.

As palmeiras existentes no local, que oferecem sombra e tornam mais agradável o trânsito de funcionários entre as diversas repartições do Senado, foram cuidadosamente consideradas na implantação do edifício, e até inspiraram a criação de uma praça revestida com pedra portuguesa.

“A praça contrasta com a situação da vizinha via N2, onde o tráfego de pedestres não é privilegiado”, destaca o autor. Ela também interliga, pelos pilotis, os dois lados do edifício, criando um espaço contínuo e agradável, que sugere aos transeuntes um passeio pela edificação.

O prédio tem quatro pavimentos, distribuídos basicamente por dois volumes: auditório e setor técnico-administrativo. No térreo, o hall de entrada estende-se e articula esses dois espaços, acumulando, em ocasiões especiais, as funções de foyer.

Esse espaço, com pé-direito triplo, destaca-se tanto pela grande dimensão como pela generosa luminosidade proporcionada pela pele de vidro da fachada. Aí, na parede curva, está um painel de azulejos desenhado pelo artista plástico Athos Bulcão. Um vazio que se abre sobre o local permite visualizar todos os pavimentos.

Também no térreo ficam o auditório e salas para treinamento, reuniões e videoconferências. Essa distribuição foi planejada de forma a permitir a realização desses eventos sem interrupção ou interferência nas demais atividades da Interlegis.

O arquiteto destinou o primeiro piso para as áreas de apoio aos parlamentares: sala equipada com estações de trabalho, biblioteca/arquivo e sala de almoço. No segundo pavimento estão as diretorias do organismo e demais área administrativas.
No subsolo, além da garagem, acomodam-se as áreas técnicas e as instalações de apoio.

O mais recente integrante da esplanada dos Ministérios possui sistema de supervisão predial que administra as condições de conforto ambiental, como nível de iluminação e temperatura do ambiente. Fornecer as condições ideais de trabalho com baixo consumo de energia é sua função.

No entanto, a arquitetura não confiou apenas à tecnologia essa tarefa. “A redução de consumo de energia é obtida com o correto tratamento das fachadas, onde foram utilizados vidros laminados refletivos e brises compostos por células quadradas de alumínio afastado da pele de vidro”, observa Reis.

Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 261 Novembro de 2001
Detalhe
Nos dois volumes da construção estão
o auditório e a área técnico-administativa
Face norte: edifício busca a convivência
harmoniosa com seus vizinhos
Na fachada oeste, projeto adotou brises
Hall de entrada banhado pela luz natural que entra através
da fachada-cortina. Destaque para o painel de Athos Bulcão
Brises: células quadradas
de alumínio afastadas da pele de vidro

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 261

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