Marcio Kogan: Studio SC

A caixa branca de fotografar

Duas caixas de madeira abrigam a maior parte do programa do estúdio fotográfico desenhado por Marcio Kogan, Suzana Glogowski e equipe do escritório MK27. Elas se inserem em um pavilhão branco, de cerca de 12 metros de largura por 44 metros de comprimento, e, soltas, são um sinal de que a reversibilidade é um dos motes do projeto.

Requintado, o projeto deste estúdio especializado em fotografia gastronômica teve início inusitado. Armou-se uma espécie de concurso interno entre os arquitetos do escritório de Marcio Kogan e, ao final do seu meio período de duração, lançaram-se as ideias que dariam forma ao conceito arquitetônico.

Em síntese, prevaleceu o princípio de enfatizar o longo percurso pelo edifício, desde a entrada até a cobertura dedicada a eventos, para o que colaboram tanto a linearidade quanto os recuos internos.

Aparentemente hermético, o volume do estúdio tem recursos para a integração ou o isolamento total dos ambientes, interna e externamente, lidando a arquitetura com a condição especial de um programa que prescinde em boa parte da incidência da luz natural.

Diverte, portanto, realizar o cotejamento das situações aberto e fechado das salas de trabalho nos pavimentos superiores em que se desenvolve o projeto, como se se procurasse a todo momento repetir a ação intimista de abrir as portas da casa para o próprio quintal.

Talvez seja essa a referência que os autores fazem à arquitetura japonesa e ao modernismo brasileiro: o edifício, no final das contas, é constituído pelo somatório de pátios internos, ora construídos e cobertos, ora naturais e abertos.

O lote foi dividido em dois setores bem delimitados: o jardim da lateral direita - para o qual os arquitetos reservaram não os poucos metros do recuo obrigatório, mas generosos 7,2 metros de largura total - e o volume edificado da lateral esquerda.

A interface entre eles se dá por meio da imponente fachada interna, com 43,5 metros de comprimento, cujo vão total foi vencido por meio de treliça metálica apoiada somente nas extremidades longitudinais.

Sob a treliça, revestida com duplo painel de vidro branco fosco, organizam-se as portas metálicas deslizantes, que permitem a integração completa do estúdio com o jardim.

As duas caixas de madeira tauari inseridas no pavilhão branco abrigam boa parte do programa proposto - salas de tratamento de imagem, recepção, cozinha técnica e estoque - e cumprem a função de simplificar ao máximo a arquitetura do grande salão central onde são feitas as fotos.

Este tem pé-direito duplo, piso de placas de concreto, forro liso de gesso, iluminação artificial homogênea e indireta e abertura reversível para o jardim lateral, além de zenital contínua junto à lateral esquerda do lote. Trata-se de um ambiente de aparência etérea, purista, que agrega todos os matizes fosco e mate dos materiais de revestimento.

Sobre ele, estende-se, descentralizada, a passarela de concreto que, atirantada no teto, interliga os pavimentos superiores das duas caixas e dá passagem para a cozinha social da cobertura.

A passarela torna-se elemento de destaque do projeto, flutuando sobre o espaço vazio do salão e a ele contrapondo sua linearidade e materialidade bruta.

 
MK27

Marcio Kogan é o titular do Studio MK27. Formado em 1976 pela FAU/Mackenzie, recebeu recentemente o título de membro honorário do American Institute of Architects (AIA) e é autor de projetos residenciais, hoteleiros, comerciais e de design no Brasil e no exterior.
Suzana Glogowski é uma das arquitetas coordenadoras do MK27 e se formou em 1998 pela FAU Mackenzie (fotos dos arquitetos: Gabriel Arantes/Reinaldo Coser).



Ficha Técnica

Estúdio SC
Local São Paulo, SP
Início do projeto 2009
Conclusão da obra 2011
Área do terreno 1.000 m2
Área construída 1.160 m2
Arquitetura Studio MK27 - Marcio Kogan (autor); Suzana Glogowski (coautora); Beatriz Meyer e Diana Radomysler (interiores); Carolina Castroviejo, Eduardo Chalabi, Eduardo Glycerio, Eduardo Gurian, Elisa Friedmann, Gabriel Kogan, Lair Reis, Luciana Antunes, Maria Cristina Motta, Mariana Simas, Oswaldo Pessano, Renata Furlanetto e Samanta Cafardo (equipe)
Paisagismo Isabel Duprat
Construção Lock
Estrutura Leão e Associados
Fotos Nelson Kon

Fornecedores

B Line, Emeco, Herman Miller, Living Divani, Moroso, Porro, Vitra (mobiliário)
Concresteel (piso)
Deca (louças e metais sanitários)
Gaggenau (equipamentos de cozinha)
Jieldé, Lightyears/Cecilie Manz, Lumini, Foscarini, Tom Dixon (luminárias)
Real Kap (tapete do tipo capacho)

Texto de Evelise Grunow| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 376
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