Oficina de Arquitetos: NAB, Niterói

Relação com a Guanabara

No projeto para o Núcleo de Estudos em Água e Biomassa, da Universidade Federal Fluminense, os espaços-chave do conjunto de laboratórios caracterizam-se pela introspecção necessária à pesquisa. O projeto, contudo, conjuga o recolhimento à vista das águas da baía de Guanabara

O acesso à construção remete à moderna solução arquitetônica dos pilotis, com a permeabilidade visual promovendo o uso livre do espaço e o desfrute da paisagem. Entretanto, não se trata de uma malha regular de pilares verticais: é uma treliça que estrutura a área aberta entre o subsolo e o bloco superior.

Assim, à série de pilares verticais alinhados com o perímetro da edificação correspondem os contraventamentos de concreto da estrutura treliçada e, por mais permeável e exposto a variações climáticas, configura-se um recinto que incorpora o panorama da Guanabara.

Enquanto parte do térreo é um “andar-treliça”, outra parte é ocupada pelo embasamento, que reúne recepção, secretaria e auditório, em um volume sobressalente em relação ao bloco superior. Esse desalinhamento é corroborado por um amplo terraço em que se alternam trechos cobertos e descobertos.

A circulação vertical (elevadores e escada) e a prumada dos sanitários estão concentradas no único trecho que conecta todas as partes do edifício. Os dois andares superiores abrigam a área acadêmica, com laboratórios destinados a salas de aulas, de reuniões e professores, além dos gabinetes junto à fachada sul - direcionados para a ilha da Boa Viagem.

Já o terraço-jardim é aberto ao convívio, qualificado pela visão da paisagem circundante que a cota privilegiada propicia. Por fim, laboratórios especializados e de uso restrito estão no subsolo.

PELE, ANTEPARO E BRISE-SOLEIL
Em meio à austeridade dos edifícios do campus da UFF, o NAB se distingue devido à pele que envolve os andares superiores. Composta por placas fixas de alumínio, sua estrutura híbrida funciona ora como anteparo, ora como brise-soleil. De maneira geral, contudo, a pele evita a incidência direta da radiação solar no interior da edificação e, afastada 60 centímetros da parede do edifício, cria uma área sombreada e aberta à ventilação natural, que retarda a transmissão térmica pela alvenaria.

As cores e o distanciamento das peças têm padrão correspondente à incidência do sol: os espaçamentos dos elementos verticais variam de 20 a 70 centímetros, e quanto maior essa distância mais próxima do verde-escuro é a tonalidade da pintura automotiva utilizada. No lado oposto do espectro, está a cor branca. E nos trechos em que se deseja usufruir da vista, as peças são dispostas horizontalmente.

A rica variação gráfica dos planos da pele não é fortuita nem um capricho imagético, mas resultante de critérios técnicos. A estética do edifício é balizada por parâmetros funcionais e de conforto ambiental, sintonizados com a relação entre o projeto e a paisagem bossa nova.


Oficina de Arquitetos
Fundado em 2000 no Rio de Janeiro, por ocasião do primeiro lugar no concurso nacional para a revitalização do Museu do Telefone, hoje Centro Cultural Oi Futuro, o escritório Oficina de Arquitetos vem atuando no desenvolvimento de projetos de caráter institucional e já acumula mais de 20 premiações em concursos nacionais e internacionais.

Atualmente faz parte do consórcio RioProjetos2016, que desenvolve o projeto arquitetônico da arena de handebol para os Jogos Olímpicos de 2016. São sócios do escritório os arquitetos Gustavo Martins (EAU/UFF, 2000) e Ana Paula Polizzo (EAU/UFF, 2001). Marco Milazzo (IMB/2001) foi sócio até 2008.



Ficha Técnica

Núcleo de Estudos em Água e Biomassa
Local Niterói, RJ
Data do início do projeto 2007
Data da conclusão da obra 2013
Área do terreno 2.500 m2
Área construída 4.300 m2
Arquitetura Oficina de Arquitetos - Ana Paula Polizzo, Gustavo Martins e Marco Milazzo (autores); Gustavo Martins (coordenador); Fernanda Mousse, Sara Jorge e Raissa Rocha (colaboradoras)
Estrutura e fundações Cad
Instalações Mieux
Ar condicionado José de Oliveira Bastos Neto
Prevenção de incêndio Sugan
Construção Anhanguera
Fotos Lauro Rocha e Kristoffer Rage Krantz

Fornecedores

Sanfor (brises de alumínio)
Polimix (concreto)
Khol (elevadores)
Alfa Alumínio (esquadrias)
Knauf (forros acústicos, divisórias de gesso acartonado, forros de gesso acartonado)
Segeo (fundações)
Osram (lâmpadas)
Ideal (luminárias)
Marmogran (mármores e granitos)
Fucksa (esquadrias de madeira)
Leinertex (tintas)
Golvidros (vidros)
Eternit (placa cimentícia)
Isoeste (telhas metálicas termoacústicas)

Texto de Francesco Perrotta-Bosch| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 408
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