Paulo Mendes da Rocha e Metro Arquitetos: Museu, Rio de Janeiro

Revertendo a lógica do ecletismo, passeio público adentra edifício

Projetado no final do século 19 por Adolpho Morales de los Rios (1853-1928), o Museu Nacional de Belas-Artes ( MNBA ) é alvo de uma possível intervenção de Paulo Mendes da Rocha , desenvolvida com a colaboração do escritório paulistano Metro. O edifício eclético, situado na área central do Rio de Janeiro, apresentava instalações bastante deterioradas e acréscimos que descaracterizavam suas linhas originais - algumas das quais realizadas por Archimedes Memória (1893-1960).
 
Em 2003, Paulo Herkenhoff assumiu a direção do museu - que guarda o mais completo acervo da história da arte brasileira - e tomou medidas emergenciais para a recuperação das instalações. Ao mesmo tempo, encomendou a Mendes da Rocha um projeto para restaurar o edifício e ampliar sua área, criando espaços para exposições, reserva técnica, biblioteca para 1,2 mil volumes, laboratórios de restauro e setores administrativos.
 
O conceito do arquiteto - capixaba radicado em São Paulo, sem nenhuma obra concluída no Rio de Janeiro - foi propor um novo espaço, um novo projeto . Para isso, o desenho indicou a limpeza do térreo, reforçando o nível da rua para uso público, sem controle de acesso . Dessa forma, mesmo dentro de um edifício eclético, Mendes da Rocha potencializa a vocação de alguns prédios da região, com especial destaque para o do Ministério da Educação e Saúde, de Lucio Costa e equipe.
 
O acesso principal seria mantido pela avenida Rio Branco, liberando entradas secundárias existentes. A idéia de continuidade do passeio público seria reforçada com a adoção de um piso de calçada no interior da praça interna. No perímetro do embasamento seriam implantados todos os serviços técnicos.
 
O elemento mais contundente do projeto é a torre de 14 pavimentos (com 70 metros de altura), de térreo livre , que ocuparia o pátio central do edifício, com 30 x 30 metros. Segundo os autores, o volume não interfere na escala do museu e do entorno, ficando dentro do gabarito da região e, do ponto de vista do pedestre, praticamente imperceptível. No térreo, sem pilares, seriam instalados alguns serviços, como lojas e restaurantes. Nos andares mais baixos, onde há coincidência entre a edificação nova e a antiga, os pisos se comunicariam e teriam cotas iguais. De forma geral, a torre é composta por área de exposições e cinco pavimentos de reserva técnica.
 
Na estrutura do novo edifício, treliças distribuiriam a carga pelo perímetro da torre, livrando-a de pilares. Colocadas em dois eixos do quadrado, elas ocupariam a altura do andar , mudando de sentido: as três primeiras estão paralelas à fachada principal do volume antigo e as quatro mais altas no sentido contrário. Assim, sustentariam o piso de baixo e apoiariam o andar de cima. A idéia é haver variação da altura dos pés-direitos.
 
Logo que assumiu o cargo no museu, Herkenhoff iniciou o restauro do projeto original, atualmente em curso. Para isso, foi realizado convênio com a Coordenação dos Projetos de Pós-Graduação de Engenharia da UFRJ (Coppe), que deu suporte técnico. No total, o museu teria, com as obras concluídas, 23 mil metros quadrados, resultado do somatório das áreas existentes com as novas.
 
Com a saída de Herkenhoff da direção do museu, em janeiro passado, o futuro do projeto de Mendes da Rocha é incerto . Uma das alegações para seu pedido de demissão foi o vazamento de alguns detalhes da proposta aqui apresentada. A nova diretora, Mônica Xexéu, tomou posse em abril, e ainda não se posicionou publicamente em relação ao futuro do projeto.

Texto de Fernando Serapião | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 316
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