8º Prêmio AsBEA: Prêmio Roberto Aflalo

Escritório bicampeão

Loeb Capote Arquitetura e Urbanismo: Data Center Santander, Campinas, SP, e ponte Friedrich Bayer, São Paulo (prêmios); Knorr-Bremse, Itupeva, SP (menção)

Com dois trabalhos premiados e uma menção, o estúdio Loeb Capote Arquitetura e Urbanismo, de São Paulo, repete o feito de 2012 ao conquistar, mais uma vez, o grande prêmio da Asbea, concedido a escritórios que, por sua contribuição à arquitetura, expressam os valores da entidade e seu papel na comunidade.

Em 2002, quando a premiação da Asbea foi criada, elegiam-se anualmente os melhores projetos de arquitetura e atribuía-se o título de escritório do ano pelo conjunto de obras - o primeiro a ser contemplado nessa categoria foi Botti Rubin Arquitetos Associados, de São Paulo. Na terceira edição da competição, em 2004, a diretoria da entidade instituiu o Prêmio Roberto Aflalo, a ser conferido “ao escritório que, por sua efetiva contribuição ao desenvolvimento da arquitetura brasileira, por sua responsabilidade cultural e postura profissional, melhor expresse os valores da Asbea e seu papel na comunidade”, justificou Jorge Königsberger, que na época presidia a associação. Já não mais na ativa, mas ainda assim (e talvez até mesmo por isso) uma lenda, M Roberto, do Rio de Janeiro, foi o primeiro a ser consagrado com a homenagem. E de lá para cá poderiam ter sido seis os recebedores do Prêmio Roberto Aflalo (desde 2004 a competição passou a ser realizada a cada dois anos), não fosse o fato de o júri desta oitava edição ter escolhido vencedor Loeb Capote Arquitetura e Urbanismo, de São Paulo, condecorado também em 2012.

Na premiação anterior, o trabalho que levou o escritório (constituído por Roberto Loeb e Luís Capote, formados pela FAU/Mackenzie em 1965 e 1998, respectivamente) à principal láurea foi o Centro de Distribuição da Avon, premiado na categoria edifícios industriais. Já em 2014, Loeb Capote teve, na modalidade obras construídas, dois projetos vencedores (o centro de dados do Banco Santander, na categoria edifícios industriais, e a ponte Friedrich Bayer, em projetos especiais) e uma menção honrosa (Knorr- Bremse, categoria edifícios industriais).

O segmento de projetos industriais é, em anos mais recentes, o que mais supre com trabalhos o escritório. É também nele que as soluções arquitetônicas criadas pela equipe conseguem equacionar as questões técnicas inerentes a cada programa resultando, do ponto de vista plástico, edifícios singulares. É exemplar, nesse sentido, o aproveitamento do material retirado de escavação para enterrar parcialmente os pavilhões de concreto do centro de dados do Santander, de modo a atender os aspectos essenciais de proteção e diminuição da carga térmica sobre os equipamentos.

As edificações industriais frequentam o repertório de obras de Loeb desde sua formação. Em entrevista a PROJETOdesign (leia a edição 313, março de 2006), ele lembrou ter participado, ainda como estagiário do Escritório Rino Levi, na passagem para os anos 1960, do projeto da Tecelagem Parahyba, em São José dos Campos, SP. Mas a proposta das instalações da Natura, em Cajamar, SP, na segunda metade da década de 1990, cujas obras foram concluídas em 2001, parece assinalar um momento de inflexão do escritório que ele fundou, alçando-o a novo patamar nessa especialidade. “A Natura queria uma fábrica diferenciada pelo foco humano e pelo respeito à natureza”, disse o arquiteto à revista(leia PROJETOdesign 253, março de 2001).

Na entrevista concedida em 2006, Loeb apontou o projeto da Natura - uma das mais importantes fábricas de perfumes e artigos de beleza do país - como um dos que mais aprecia. Na mesma ocasião, contou também que foi no Escritório Rino Levi que conheceu o então desenhista Nicola Pugliese, ainda hoje um importante parceiro de trabalho que, assim como Luís Capote (sócio do escritório desde 2004), integrou a equipe dos três projetos agora premiados. A parceria entre Loeb e Capote se solidificaria em 2012, quando foi juridicamente constituído o escritório Loeb Capote Arquitetura e Urbanismo. No mesmo ano, os dois também se juntaram para formar a Ybyraa, empresa que atua no gerenciamento de projetos e obras e que conta com a participação dos arquitetos Damiano Leite (no escritório desde 2000) e Chantal Leite (desde 2009).

No segmento industrial, à fábrica da Natura - que se transformou numa espécie de paradigma da boa arquitetura fabril do país - sucederam-se projetos como o do centro tecnológico da Mahle em Jundiaí, SP (PROJETOdesign 344, outubro de 2008), detentor do Prêmio Asbea 2010 na categoria edifícios industriais e no qual o desenho se inspira nas curvas de nível, em técnicas de cultivo agrícola que impedem a retirada de nutrientes do solo pela água da chuva; e o das instalações brasileiras da Weishaupt, em Indaiatuba, SP (edição 377, julho de 2011), em que a planta idealizada pelos brasileiros expressa os ideais da escola alemã de Ulm, sucessora da Bauhaus.

Interessante notar que nas edificações industriais desenhadas por Loeb e Capote na última década o concreto armado é protagonista - ainda que, com suas idiossincrasias, essa arquitetura pareça se aproximar da escola paulista, que tem o material aparente como expressão do seu ideário. Em contrapartida, na década de 1980, quando desenvolveu experiências com estruturas metálicas, Loeb fez parte do grupo dos “desalinhados”, que contestava aquele modelo: “A estrutura metálica era um vetor importante, na minha imaginação e na de meus colegas, porque oferecia um campo novo e uma oportunidade de pesquisa e desenvolvimento”, justificou na entrevista a PROJETOdesign.

Ultrapassada a fase de contestação, teria o concreto reconquistado Loeb e sua equipe? A conferir nos trabalhos que virão e, quem sabe, nas próximas premiações. Por ora, leia nas próximas páginas reportagens sobre os projetos de Loeb Capote vencedores nesta edição do Prêmio Asbea.



Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 417
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