Roberto Loeb e Asssociados: Fábrica de Cosméticos Natura, Cajamar-SP

Natura e humanitas

Natura e humanitas
Com 12 edifícios e 70 mil m2, o conjunto tem três fábricas, setores operacionais, um centro de pesquisa e desenvolvimento, área de treinamento e convenções, clube e bloco de apoio a funcionários com restaurante, banco, creche e loja.

"A Natura queria uma fábrica diferenciada pelo foco humano e pelo respeito à natureza", explica Roberto Loeb, vencedor do concurso fechado realizado pela empresa para escolher o autor do projeto. Ele criou um conjunto contemporâneo e horizontal, que tira partido das grandes extensões de mata para proporcionar condições de conforto aos mais de 2 mil funcionários da indústria cosmética.

São 12 edifícios independentes e com projetos diferentes entre si para marcar sua função, com implantação surpreendente. Quase todos usam o vidro como fechamento, formando volumes que não impedem a vista da paisagem. "Com isso foi criada uma malha de troca e de usufruto dos espaços abertos", diz Loeb. O pavilhão industrial, composto por três fábricas com escritórios integrados e mais de 22 mil m2 de área, é unificado pelas fachadas anterior e posterior, com 400 m de comprimento contínuos, como se delimitassem uma só construção.

Duas passarelas porticadas, uma em cada fachada, respondem pela circulação horizontal entre os prédios, definindo dois longos corredores - um operacional e outro exclusivo para pessoas - delimitados externamente por vidro serigrafado fixo ao pórtico estrutural metálico na cor branca; internamente, o fechamento é feito com vidro transparente, o que permite aos visitantes acompanhar o processo industrial.

Paredes curvas de concreto, com 15 m de altura, definem a recepção de formas orgânicas, que serve de elo entre o estacionamento e as fábricas, situadas mais à frente. Seu piso alterna mármore, concreto e seixo rolado, delineando tapetes que assinalam os caminhos. Uma clarabóia fornece iluminação natural ao ambiente e ao jardim interno do piso inferior, onde foram dispostos a biblioteca e o Centro de Memória Natura. A recepção é um anexo do edifício de pesquisa e desenvolvimento, ao qual se liga por meio de passarela metálica que lembra as pontes de embarque dos aeroportos.

No edifício de pesquisa e desenvolvimento - com empenas laterais de concreto e fachadas de vidro - funcionam laboratórios e escritórios, distribuídos por mais de 11 mil m2 de área. Também interligado às fábricas por pontes de estrutura metálica, esse bloco destaca-se por um grande átrio coberto, mas sem fechamentos laterais, que marca a circulação vertical e horizontal e funciona como área para descanso, café e fumódromo.

O L formado entre o edifício de pesquisa e as fábricas é ocupado pela praça das Jabuticabeiras, espaço previsto para a realização de atividades externas. Grandes volumes de concreto aparecem no Núcleo de Aperfeiçoamento Natura (NAN), prédio destinado a convenções e treinamento, com as duas extremidades em balanço - uma com 12 m e a outra com 8 m.

Bloco de apoio
Térreo, com estrutura metálica e fechamento em alvenaria, o bloco de apoio soma quase 10 mil m2 de área para abrigar todos os serviços necessários: creche com playground, enfermaria, loja de conveniência, lanchonete, cozinha, restaurante com sacada e ar-condicionado, departamento de recursos humanos, posto bancário e dois blocos de sanitários.

Uma grande varanda, de 400 m x 12 m, com cobertura metálica curva e fechamento de policarbonato, integra todos os setores ao verde, criando ambientes que enfatizam o bem-estar. No futuro, a Natura deve reativar um trecho de cerca de 3 km da antiga ferrovia Caieiras-Pirapora, para os visitantes conhecerem todo o complexo em um passeio de trem que irá até a vizinha reserva ambiental do estado.

Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 253 Março de 2001

O NAN e a ponte sobre a ferrovia em recuperação
O balanço de 12 metros no bloco de salas de treinamento do NAN
O prédio do NAN tem grandes tomadas de ar para
osistema de refrigeração e terraços de observação,
com vista para o bloco de pesquisa
O edifício de pesquisa e a empena;
a torre concentra instalações sanitárias
A fachada do bloco de pesquisa reflete
a passarela na altura dos laboratórios
Vista da recepção curvilínea, interligada em linha reta
com a fábrica e formando um L com o bloco de pesquisa
Praça das Jabuticabeiras e o bloco de pesquisa vistos
da passarela metálica. A praça pode ser usada como
espaço de reuniões ao ar livre
Vidro e metal fazem a articulação entre
o bloco de pesquisa e as fábricas
Átrio no bloco de pesquisa: além das circulações vertical
e horizontal, ele funciona como área de descanso,
café e fumódromo
Edifício de embalagem e expedição,
com passarela para visitantes
À esquerda, bloco de apoio a funcionários; no centro,
edifício de pesquisa e desenvolvimento; à direita,
corredores de acesso às fábricas
Vista geral a partir do Núcleo de Aperfeiçoamento
Natura (NAN), à margem do rio Juqueri. À direita,
parte dos 400 metros de fachadas das fábricas

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 253

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