FINESTRA: Sá Earp Arquitetura, Centro de Educação Profissional Senac Turismo e Gastronomia, Campo Grande, MS

Fachada têxtil

O SENAC/MS inaugurou no segundo semestre de 2018 - após seis anos entre projeto e execução - seu Centro de Educação Profissional Senac Turismo e Gastronomia. Implantada estrategicamente no perímetro urbano de Campo Grande, região com grande concentração de potenciais clientes - restaurantes, bares e hotéis - para a mão de obra formada pela escola e também com facilidade de acesso a transporte público, a nova unidade tem o intuito de tornar-se referência regional na oferta de soluções educacionais para todo o segmento de gastronomia e turismo no estado

Segundo a arquiteta Cláudia de Paiva Sá Earp, do escritório Sá Earp Arquitetura, responsável pela arquitetura, interiores, paisagismo e licenciamento ambiental, o projeto tira partido do terreno de esquina em “L”, com frente para três vias, e da topografia com desnível de pouco mais de 3 metros de altura ao longo da fachada principal para acomodar subsolo, térreo, três pavimentos e terraço/cobertura. São cerca de 3.000 metros quadrados de área construída.

“O projeto foi desenhado após a definição dos níveis e acessos e do programa de necessidades elaborado pela equipe do SENAC/MS, distribuindo-se os setores de forma independente, mas ao mesmo tempo os conectando pela circulação vertical. Tal configuração foi fundamental para atender as necessidades operacionais da escola”, lembra a arquiteta.

A ideia de proporcionar flexibilidade, permitindo alterações de uso e de disposição dos espaços, é atendida pela solução estrutural com vãos livres numa parte do edifício e pelo uso de divisórias de gesso acartonado (tratadas acusticamente) nos ambientes do segundo e terceiro pavimentos. Já no subsolo, térreo e primeiro pavimento foram concentradas as áreas técnicas das cozinhas didáticas, ambientes que dificultam alguma flexibilidade.

Os espaços da escola foram pensados com múltiplas funções e o paisagismo teve importância especial. O terraço descoberto, destinado ao descanso dos funcionários e professores, abriga também a horta. O estacionamento projetado sem cobertura é uma alternativa para espaço de eventos de gastronomia.

“Foi idealizada uma área que remetesse a uma praça, com as vagas com cobertura retrátil para dar alguma autonomia aos eventos, mesmo em dias chuvosos, sem acrescentar área construída. As vagas são delimitadas apenas pela paginação de piso, com bancos de madeira, jardins de frutíferas com treliças, jardins verticais, integrando essa área com o paisagismo do entorno da escola”, detalha a urbanista.

“Com o programa de necessidades extenso e as limitações impostas pela lei de uso do solo, foi preciso usar cada centímetro do terreno e ainda solicitar a outorga onerosa”, explica Cláudia de Paiva Sá Earp, referindo-se à rigidez volumétrica da edificação.

Todo o projeto foi norteado por soluções que resultassem em economia de energia, conforto ambiental e aspectos sustentáveis como fachadas com proteção solar, ventilação natural para atenuar o uso do sistema de ar condicionado, iluminação e ventilação direta em todos os ambientes, aquecimento solar e a gás para água quente dos banheiros e cozinhas, reúso de água de chuva para irrigação, pisos drenantes nas calçadas, lajes jardins.

Fachadas microclimáticas

O edifício possui quatro fachadas com soluções diferentes. Uma na divisa de lote e três com acesso direto às vias. A face frontal norte, voltada para a rua Antônio Maria Coelho, abriga a entrada principal para alunos, professores e o público em geral. Ao sul, pela face oposta instalada na travessa Vilhema, é permitida a entrada de fornecedores e funcionários e coleta de resíduos. Na rua Espírito Santo, a fachada lateral oeste dá acesso ao pessoal administrativo, aos estacionamentos do subsolo e da praça de eventos.

Uma das premissas do projeto era dotar a identidade visual do edifício de uma linguagem estética contemporânea, mas a localização das cozinhas didáticas ao longo da fachada principal poderia comprometer esteticamente essa orientação, sobretudo por causa das suas janelas altas e a obrigatoriedade de uso de telas contra insetos.

Considerando então a estética e a questão da incidência solar - a fachada principal tem orientação norte -, a solução arquitetônica foi adotar a fachada têxtil Revesto, da Stobag, combinada com marquises metálicas revestidas com painéis de alumínio composto. Instaladas em parte do térreo e no primeiro andar das faces frontal e lateral, as marquises funcionam como beiral para proteger portas e janelas.

As fachadas possuem janelas de correr de alumínio e vidro. Em algumas situações existe peitoril com vidro fixo. Nos ambientes em que era possível, o vidro foi usado em maior área para proporcionar boa iluminação natural.

A membrana têxtil perfurada instalada a um metro de distância do corpo do edifício permite a passagem de luz sob medida, protege contra os raios UV e possibilita a ventilação natural. O resultado é uma fachada microclimática que atende aos aspectos térmicos. A estética também foi resolvida com o uso das telas coloridas.

“A ideia era propor algo inovador para destacar o edifício. As telas coloridas nos tons amarelo, branco, cinza e preto criam um jogo de cores dando movimento à face principal e permitem a quem está no ambiente interno ter visão do exterior”, explica a urbanista.

Painéis de alumínio composto coloridos em amarelo e preto foram as opções arquitetônicas para diversificar o acabamento da envoltória. O material foi aplicado em trechos das faces norte e oeste, que formam a esquina entre as ruas Antônio Maria Coelho e Espírito Santo. No encontro das duas faces estão os ambientes que atendem ao público em geral e têm acessos independentes da escola.

Fachada têxtil

A membrana têxtil escolhida, Soltis 86 da linha Revesto, é composta por fios de poliéster de alta tenacidade recobertos por PVC. Ela possui microfuros que permitem a circulação de ar e a passagem de luz, apresentando um fator de abertura de 14%. Segundo Cláudia de Paiva Sá Earp, “nesse projeto foram utilizadas 75 telas de 1,50 x 3,40 metros, totalizando uma área de 380 metros quadrados, instaladas de modo a possibilitar uma área de passagem para manutenção e limpeza entre a estrutura e o edifício, além de promover maior conforto térmico devido à ventilação”.

Para fixação das telas, foi projetada uma subestrutura metálica com vãos de 1,50 x 3,40 metros fixada na alvenaria. De acordo com o fabricante, o perfil é bastante versátil e apresenta multicanais nas quatro faces que permitem a fixação da membrana em diferentes pontos, adequando‑se às mais diversas necessidades dos projetos.

A membrana têxtil é posicionada nos canais e tensionada através de um perfil de acabamento. O tensionamento é obtido através dos perfis com construção tipo macho/fêmea. Os perfis foram montados no local, com o tecido tensionado no momento da instalação.



Ficha Técnica

Centro de Educação Profissional Senac Turismo e Gastronomia
Local Campo Grande (MS)
Área do terreno 1.120,85 m²
Área construída 3.095,324 m²
Início do projeto 2012
Conclusão da obra 2018
Arquitetura, interiores e paisagismo Sá Earp Arquitetura - Cláudia de Paiva Sá Earp, Luísa de Paiva Sá Earp (autoras)
Licenciamento ambiental Ana Beatriz Paiva Sá Earp (engenheira ambiental), Cláudia de Paiva Sá Earp, Luísa de Paiva Sá Earp
Concreto Ireno de Amorim Malaquias
Metálica Hesa Engenharia - Edson de Mello Sartori
Fotos Fellipe Lima

Fornecedores

Stobag (fachada têxtil Revesto e toldos retráteis Folding Pérgola)
Toldos Universo (instalação da fachada têxtil e do toldo)
Portinari, Gail, Pazinato, Ivaí, Miaki (pisos)
Beaulieu (carpete do auditório)
Hunter Douglas (forro removível áreas secas)
Placo (forro removível áreas molhadas)
Lafarge Gypsum (paredes dry-wall)
Cerâmica Martins (cobogós)
EAF (janelas e portas de alumínio)
Deca (louças e metais)
Pial (interruptores e tomadas)
Atlas Schindler (elevadores)

Texto de Gilmara Gelinski | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 448
  • 0 Comentários

ENVIE SEU COMENTÁRIO

Assine PROJETO e FINESTRA!
Acesso completo grátis para assinantes


Quem assina as revistas da ARCO pode acessar nosso acervo digital com mais de 7 mil projetos, sem custo extra!

Assine agora