Sergio Pileggi: Residência do arquiteto, Atibaia-SP

"Espírito do campo"

"Espírito do campo"
O resultado é uma casa distribuída em quatro níveis que acompanha as características do lote, com declive e quase totalmente cercado por via urbana.

O terreno amplo, tomado por grandes rochas e recoberto por mata atlântica, sugeria um projeto integrado ao verde, que induzisse ao descanso e à contemplação da paisagem. "A idéia era ter uma construção de forte ligação com a natureza e aproveitamento da vista para o vale, com estrutura de madeira que traduzisse bem o espírito do campo", explica o arquiteto.

Para preservar pedras e árvores, o arquiteto posicionou a casa na área mais livre do terreno. Ainda assim, a parte frontal tem um recuo desenhado especialmente a fim de manter uma das grandes rochas existentes. Pileggi escalonou a construção sobre o declive (cerca de 10 m entre a frente e os fundos), criando os patamares dos quartos, da sala e da cozinha, do terraço e da piscina e o do ateliê e da sauna. A cobertura com duas águas e cumeeira unifica externamente a casa, que apresenta pés-direitos variados.

Internamente, destaca-se a ampla sala dividida ao meio pelo grande volume centrado da lareira, com acabamento em massa grossa raspada. Marcando o uso invernal da casa, a lareira é aberta para os dois ambientes sociais: de um lado, o estar e, do outro, o jantar, integrado à pequena cozinha. A presença constante do vidro reforça a idéia de integração com a natureza, até mesmo nas formas mais inesperadas.

No patamar das suítes, domos levam luz aos banheiros. Também voltados para o oeste, os quartos são protegidos do sol por cortinas que têm ainda a função de ocultar os armários posicionados ao lado das portas de acesso à varanda. Na suíte principal, o mezanino funciona como saleta íntima e dá acesso direto ao pavimento técnico, onde estão caixa-d´água, aquecedores e bomba de pressão.

Erguida sobre embasamento de concreto, a residência tem estrutura industrializada de jatobá, a mesma madeira do forro. Para reiterar o espírito de casa de campo até nos detalhes, o arquiteto optou por deixar pilares e vigas aparentes. Poucos materiais de acabamento foram utilizados, como o assoalho em abiurana nas áreas íntima e social, paredes com massa grossa desempenada, ladrilhos e pastilhas cerâmicas nas áreas molhadas e esquadrias azuis fabricadas com alumínio.

Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 254 Abril de 2001

Vista do ateliê para o caminho de pedras
que conduz a um passeio pelo jardim
Lareira: volume recortado divide
a grande sala em dois ambientes
Pano de vidro entre o aparador e a prateleira:
para ver uma porção de mata atlântica
O jardim em dois patamares separa a casa da piscina, revestida externamente por pedras da região
O ateliê do arquiteto foi disposto no nível inferior
O acesso à área de serviço, com piso
revestido por pedras típicas da região
A área da piscina evidencia o declive
do lote e dá vista direta para o vale
A caixilharia de alumínio pintado de azul separa o estar
da varanda sem comprometer a vista para o vale
Terraço e sala de jantar: a arquitetura procurou
interferir o mínimo possível na paisagem

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 254

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