SIAA e Helena Ayoub Silva & Arquitetos Associados: Escola Estadual Jardim Morro Doce, São Paulo

Acertando na dupla quadra

A Escola Estadual Jardim Morro Doce foi construída em área que antes era ocupada pela quadra esportiva de outro colégio público, existente no mesmo terreno. Essa é a razão de o prédio contar, no piso superior ao das salas de aulas, com dupla área para a prática de esportes

A implantação de escolas em retalhos de lotes remanescentes de outras construções educacionais vem ocorrendo com alguma constância, sobretudo na capital, nas obras da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), órgão da Secretaria da Educação paulista que tem, entre suas atribuições, instalar e manter as unidades da rede pública estadual de ensino.

Vários dos projetos mais recentes contratados pela FDE ganharam reconhecimento pela boa qualidade de sua arquitetura. Nesse perfil se enquadra a Escola Estadual Jardim Morro Doce, no Parque Anhanguera, zona norte paulistana, desenhada pelos escritórios SIAA Arquitetos Associados e Helena Ayoub Silva & Arquitetos Associados.

Mas a ela se acrescenta outra particularidade. A rigor, não se podia falar na existência de área ociosa, uma vez que o lote destinado à nova edificação só viria a surgir com a remoção da quadra de esportes da escola preexistente no local.

Essa nesga de terreno tem testada voltada para um sinuoso trecho da rua Mário Palmério, que fica em cota mais alta que a da entrada da unidade mais antiga, na rua Alberto Calix.

O número de classes definido no programa - são 22 -, a necessidade de acomodar duas quadras esportivas (a da nova escola e a removida) e a preocupação em não verticalizar em excesso levaram os autores a criar um edifício pavilhonar alongado, com quatro pavimentos, cuja presença na via é fluida e suave - a partir do acesso principal, nota-se apenas seu piso mais alto.

Conforme é determinado pelas regras de projeto da FDE, o material predominante na edificação é o pré-moldado de concreto, ao qual a equipe de arquitetura agregou, no fechamento, telhas metálicas perfuradas, em algumas situações, e íntegras, em outras.

Apoiadas nos pilares de concreto que estruturam o prédio, peças metálicas ancoram a metade superior da construção e a cobertura.
Esta intercala telhas metálicas às de poliéster, translúcidas, que deixam entrar luz natural nas quadras e no pavimento das salas de aulas.

Os autores aproveitaram a topografia irregular do terreno, com quedas nas duas extremidades, para acomodar numa ponta os setores administrativos/diretoria e na outra a zeladoria.

No andar acima estão as duas alas de classes, com circulação central em corredor cuja largura (5,40 metros) é maior do que aquela em geral aceita pela FDE. “Acho que não perceberam”, brinca César Shundi Iwamizu, titular do SIAA.

Para evitar o efeito túnel no corredor, este é interrompido nas áreas de circulação vertical. O recorte coincide com o trecho da cobertura translúcida, de modo a favorecer a entrada de luz natural também nesse local. O segundo andar é ocupado, em sua maior parte, pelas duas quadras simétricas e pelos vestiários. No pavimento que arremata a composição ficam a área de recreio, completada com cozinha e refeitório. Aberturas nas faces do volume retangular revelam detalhes da paisagem.

  


Helena Ayoub Silva
: Helena Ayoub Silva (FAU/USP, 1979) é titular do escritório que leva seu nome, constituído em 2002. Desde 1989 é professora do Departamento de Projeto da faculdade em que se graduou. César Shundi Iwamizu (FAU/USP, 1999) leciona, desde 2004, na Escola da Cidade, em São Paulo. Fundou, em 2007, o escritório SIAA e mantém frequentes colaborações com outros estúdios, entre eles os de Helena Ayoub Silva e Eduardo de Almeida



Ficha Técnica

Escola Estadual Jardim Morro Doce
Local: São Paulo, SP
Início do projeto: 2007
Conclusão da obra: 2011
Área do terreno: 4.902,53 m2
Área construída: 4.223,66 m2
Arquitetura: Siaa Arquitetos Associados e Helena Ayoub Silva & Arquitetos Associados - César Shundi Iwamizu, Helena Ayoub Silva, Júlio Cecchini, Anita Freire, Tiago Oaklei e Moracy Amaral (equipe)
Estrutura: Steng
Fundações: Zaclis Falcone
Elétrica e Hidráulica: Bim e Alvez
Construção: Itajaí
Fotos: Pregnolato & Kusuki

Fornecedores

Calijuri (estacas);
Indústria Brasileira de Pré-Moldagens (estrutura pré?fabricada de concreto);
Nakamura (estrutura metálica de cobertura e fechamentos);
Ana Paula Rico/Novo Rumo (esquadrias metálicas);
Atlas Schindler (elevadores)

 

Texto de Adilson Melendez| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 399
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