Somar para resolver

Habitação para todos

Quando se fala em sanar o déficit habitacional brasileiro, entra em jogo uma somatória de ações contra um problema bastante complexo e de grande escala. Construir novas habitações faz parte do conjunto de soluções, mas não basta, seja por causa da velocidade almejada ou do tipo de residências ofertadas: as faixas de renda a que se direcionam e aonde se localizam. Carência habitacional não é uma questão isolada, mas que está relacionada, ao menos, com mobilidade urbana e com dinâmicas sociais.

Nesta edição especial da PROJETO sobre habitação social, nossa intenção foi abordar o assunto por aspectos variados. Na seção Escalas, em que publicamos projetos e obras, há, portanto, matérias de duas naturezas: edificações/urbanizações e outras sobre programas ou projetos de ATHIS, sigla de Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social.

Quanto ao primeiro grupo, selecionamos projetos que, para além de suas qualidades intrínsecas, repercutem questões importantes. De São Paulo, aqui está o Complexo Habitacional e Cultural da PPP Júlio Prestes, de autoria do escritório Biselli & Katchborian Arquitetos, que indica um caminho positivo: provisão de moradia em zona central atrelada a desenho urbano de boa qualidade; o Parque Santo Amaro V, de autoria de Vigliecca & Associados, impecável na relação entre edifício e cidade, mas que, passados seis anos desde a sua inauguração, enfrenta atualmente problemas de privatização dos espaços públicos; e a urbanização do Jardim Silvina Audi, em São Bernardo do Campo, cujas boas novas são o prosseguimento do projeto (do Boldarini Arquitetos), e a inauguração de mais uma parte das obras residenciais mesmo após a troca de gestão.

Do Rio de Janeiro, publicamos a experiência das arquitetas do ArqTraço com as comunidades Chapéu Mangueira e Babilônia, na zona sul da cidade, auspiciosa no que diz respeito à construção (ao menos parcial) das edificações, mas frustrante no que diz respeito à descontinuidade do projeto pelo poder público.

De Pernambuco, os arquitetos do escritório Jirau testemunham, por meio do projeto dos Sobrados Novo Jardim, em Caruaru, sua dedicação em atuar diretamente com o empreendedor privado na promoção de casas para a baixa renda.

No que diz respeito ao segundo bloco das matérias da seção Escalas, duas delas são híbridas, ou seja, tanto de arquitetura/urbanismo em si quanto relacionadas ao processo da ATHIS. São elas, a matéria de Adilson Melendez (que assina todos os textos da seção) sobre o empreendedorismo de Demetre Anastassakis junto a construções, no Rio de Janeiro, para a baixa renda; e sobre o Residencial Canhema II, em Diadema (SP), das arquitetas Renata Coradin e Fabrícia Zulin, que, em certo momento dos projetos e acompanhamento das obras das casas, teve o aporte financeiro do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/ BR) - a quem agradecemos pelo apoio na formulação da pauta, sobretudo no que se relaciona à assistência técnica para habitações de interesse social.

Outras três matérias traçam um painel variado sobre ações de ATHIS: o projeto político - sob o comando do Secretário Gilson Paranhos - da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab/DF), com a implantação sistemática de postos de atendimento de ATHIS em Brasília; os programas que envolvem a participação de alunos de arquitetura e urbanismo, como o Arquiteto de Família e o Escritório Público de Engenharia e Arquitetura de Salvador, pertencente à Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra); e o modelo de captação de recursos junto ao mercado financeiro, exemplificado pelo Programa Vivenda.

A edição conta ainda com a entrevista, realizada por Melendez, com o precursor da lei nº 11.888/2008, de assistência técnica, Clóvis Ingelfritz da Silva, assim como com as colunas de Luciano Guimarães (CAU/ DF), Nivaldo Andrade (IAB/DN) e, em conjunto, de Eleonora Mascia (Caixa Econômica Federal), Cícero Alvarez e Edinardo Lucas (FNA).

Por fim, colaboraram Elisabete França e Simone Gatti, respectivamente, com artigos sobre o vindouro Congresso Mundial de Arquitetos: UIA2020RIO, e sobre locação social. Fecha a edição a foto do Condomínio Residencial de Heliópolis, de Ruy Ohtake, feita por Daniel de Ducci.

Acesse a Cartilha ATHIS - Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social.

BOA LEITURA!

Texto de Evelise Grunow| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 4461
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