L. C. Esteves: Estações de metrô, São Paulo

Uma linha de metrô na periferia de São Paulo

A nova linha de metrô de São Paulo compreende seis estações ao longo de 9,3 quilômetros - mais de 70% deles em via elevada - e estende-se da estação Largo 13 à de Capão Redondo

O arquiteto Luiz Carlos Esteves, da Harza-Hidrobrasileira, é o autor do trabalho. "A concepção do projeto das estações orientou-se por requisitos básicos de um sistema de transporte público de alta capacidade: rapidez, eficiência, segurança e conforto dos passageiros", comenta.

A principal característica da linha é a implantação elevada - adotada em cinco das seis estações. No único trecho subterrâneo, de 600 metros, encontra-se a estação Largo 13. Capão Redondo, Campo Limpo, Vila das Belezas e Giovanni Gronchi são consideradas típicas. Na Santo Amaro, uma ponte estaiada sobre o rio Pinheiros faz a integração com a linha C da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, na antiga estação Largo 13.

A implantação predominantemente elevada levou o autor e sua equipe a buscarem uma estrutura esbelta, para minimizar os impactos no meio urbano. A solução foram pilares de concreto de seção circular, com vãos em torno de 34 metros vencidos por vigas pré-moldadas.

As estações a céu aberto típicas são unidades autônomas construídas em torno do elevado. O hall de acesso, as salas operacionais e técnicas ficam no térreo. As plataformas elevadas, desvinculadas da superestrutura da via permanente, livraram-se da possível transmissão de vibrações. Os dois conjuntos de escadas que levam a elas são estruturas independentes, em concreto.

As plataformas têm estrutura formada por vigas de aço de 34 metros de comprimento, aproveitando a infra-estrutura e a mesoestrutura do elevado. O fechamento e a cobertura das plataformas são em painéis de alumínio autoportantes, com isolamento termoacústico, montados sobre pequenos perfis de alumínio de seção U.

A estação Giovanni Gronchi teve implantação mais complexa que a das outras elevadas, por estar ao lado do terminal de ônibus João Dias. Este foi parcialmente remodelado, com a substituição da cobertura para permitir a implantação do elevado e a preservação de parte da passarela, da plataforma de embarque e do sistema viário. Foi conservada a concepção básica das outras estações, para preservar a unidade formal do trecho. O projeto executivo foi conduzido pela Maubertec e pelos arquitetos Nelson Andrade e Paulo Lúcio Brito.

Única estação subterrânea da primeira etapa da linha 5, a Largo 13 apresenta peculiaridades decorrentes do local de implantação. Na região, há dois vetores de demanda: o terminal de ônibus (Santo Amaro) da SPTrans e os usuários lindeiros, concentrados em torno do largo 13 de Maio. “Para atender a ambos, a estação tem dois mezaninos, onde se concentram as bilheterias e bloqueios, um para cada vetor”, informa Esteves.

Dificuldades operacionais levaram ao deslocamento do corpo da estação do centro (como era a intenção do projeto básico) para a lateral da avenida - na área de um clube municipal, posteriormente remodelado e devolvido à comunidade. Devido a essa mudança, o projeto da estação sofreu modificações na fase executiva, conduzida pelo escritório Figueiredo Ferraz e pelo arquiteto Roberto McFaddem.

O acesso ao terminal de ônibus é feito por galeria que transpõe a avenida e escadas para as plataformas; deficientes físicos contam com elevador e rampa. O terminal apresenta, em sua extremidade, painel do artista plástico Gilberto Salvador.

Implantada sobre o leito do rio Pinheiros, a estação-ponte Santo Amaro insere-se na região como marco urbano significativo, devido a sua bela estrutura estaiada. O acesso a ela pode ser feito pelas duas margens do rio: no lado sul, onde há um terminal de ônibus; pelo norte, integra-se à antiga estação Largo 13 da linha C da CPTM.

A concepção da estação-ponte em estrutura estaiada decorreu da necessidade de superestrutura de seção baixa e contínua, devido às interfaces com o acesso à linha C.

Sua estrutura compõe-se de mastro principal, de onde saem estais que sustentam a superestrutura. Esta é formada por caixão unicelular de concreto protendido, com 2,5 metros de altura de seção e 8,3 metros de largura. A seção total do corpo da estação tem 22 metros de largura e 8,5 metros de altura. O mastro possui 65 metros de altura acima do leito do rio. Os estais são formados por um conjunto de até 55 cordoalhas de aço.

Ao caixão unicelular de concreto estão fixadas vigas sobre as quais foram montadas lajes pré-moldadas que formam as plataformas. A cobertura e o fechamento do corpo da estação foram feitos em pórticos de aço que se apóiam nessas vigas e resultam numa estrutura de seção elíptica, fechada em seu perímetro com telhas metálicas e vidros curvos num vão de dois metros de altura. Em seu eixo central, a cobertura é aberta para a passagem dos estais e para a ventilação.

A concepção aerodinâmica do corpo da estação, com sua forma elíptica, contribuiu para a diminuição da exigência estrutural da ponte. Nessa estação, as salas operacionais ficam no térreo, junto ao acesso sul; sob elas estão as salas técnicas, com ventilação de fossos laterais.

O acesso às plataformas é feito por dois conjuntos de escadas fixas e rolantes. No lado norte, o acesso se faz pela estação Santo Amaro da linha C, que foi remodelada para permitir a integração com a linha 5. No mezanino há um painel do artista plástico Antônio Peticov.

No acabamento, as unidades caracterizam-se pelo despojamento. Poucos elementos foram acrescentados às estruturas, praticamente pisos e caixilharia. Internamente, alguns cuidados foram tomados para que a implantação de equipamentos dos sistemas hidráulico, elétrico e de segurança respeitasse a linguagem construtiva das estações. Luminárias criadas especialmente para as plataformas contemplam também os sistemas de sonorização, balizamento e circuito fechado de TV. Hidrantes, painéis de luz e bancos foram desenhados para as estações. Todas as estações dispõem de recursos e equipamentos para portadores de deficiência física.

A comunicação visual recebeu tratamento diferenciado: foi elaborada uma família de painéis e totens de suporte à sinalização das estações, cujo desenho confere identidade formal ao conjunto.

Inclui-se ainda entre os módulos da linha Lilás o pátio Capão Redondo, planejado para atender apenas a primeira etapa da linha. Sua implantação foi bastante difícil, em face da exigüidade do terreno, que está dividido em dois níveis: na cota do acesso estão o edifício administrativo, o almoxarifado, a manutenção e o centro de energia; em cota mais elevada distribuem-se as vias de estacionamento, a oficina de trens, o torno rodeiro e o edifício do pessoal de operação, entre outros.

Ficha Técnica

Estações da Linha 5 de Metrô
Local São Paulo, SP
Projeto 1993
Conclusão da obra 2002
Área construída das estações 5 998 m2 (Capão Redondo); 5 828 m2 (Campo Limpo); 5 761 m2 (Vila das Belezas); 5 989 m2 (Giovanni Gronchi); 8 851 m2 (Santo Amaro); 15 162 m2 (Largo 13)
Projeto básico Harza-Hidrobrasileira
Arquitetura Harza-Hidrobrasileira - Luiz Carlos Esteves (autor)
Estrutura Karl Artur Seubert, Jorge Cunha, Rafael Tadeu de Moura Campos e Ernesto Tarnoczy (metálica)
Instalações Atílio Mateus Valência
Via permanente Jan Nowakowski
Coordenação João Manoel Fernandes
Projeto executivo/obra bruta Maubertec, Promon, Enescil/Jean Muller e Figueiredo Ferraz
Projeto executivo/acabamento Rita Maria Nunes, Nelson Poppi, Deslandi Torres, João Walter Toscano, Sérgio Franco, Flávia Franco, Planservi, MK, Seebla, Setepla, Concremat e Systra
Projeto executivo dos terminais Koichi Shidara, Nelson Poppi, Deslandi Torres, João Walter Toscano, Vetec, Planservi e Setepla
Comunicação visual Enzo Grinover e GMR AA
Equipe técnica da CPTM Renato Penna de Mendonça (projeto básico e terminais); José Augusto Nunan Bicalho (projetos básico e executivo/obra bruta); Fernando A. Buarque de Gusmão, Jaime Jorge Bechara e Ikuyo Akamine (projeto executivo/obra bruta); Clayton Alfredo Nigro (terminais e acabamento); Álvaro Mateo M. Ivanovitch e Maria Lídia T. R. Janine (acabamento); Maria Ângela Araújo e Elenice Freitas Carli (comunicação visual); Armando Adurens Sobrinho (instalações); Marco Antônio Polido e Jaqueline T. Lage (via permanente)
Construção Andrade Gutierrez, Constran, Camargo Corrêa, CBPO, OAS, Queiroz Galvão, Varca/Scatena, EIT, Toniolo, Sutelpa, Passarelli, Consbem, Estacon, Construbase e CNO
Fotos Blair R. Alden

Fornecedores

Sinalta (comunicação visual)
Irmãos Daud (piso de borracha)
Aphene (granito)
Romeu Sordili (esquadrias)
Proinox (bancos e guarda-corpos)
Alcan, CMA, Inmecol (coberturas de alumínio)
Jatobá (pastilhas)
ThyssenKrupp (escadas rolantes e elevadores)
Tuper, Medabil (telhas metálicas)
Itaupave (piso articulado)
Eucatex (forros)
Itaim (luminárias)

Texto de Adilson Melendez| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 278
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