Revitalização em Sidney, Austrália: Mobiliário e identidade visual

Design olímpico

Duas empresas australianas destacam-se no trabalho que, iniciado em 1983, ajudou a preparar Sydney como sede dos Jogos Olímpicos deste ano: a KWA Design foi responsável pelos equipamentos urbanos; a FHA Image Design concebeu a logomarca e definiu seus parâmetros de aplicação. Para a competição que começa em setembro, a cidade apostou no design e na arquitetura. A área central teve suas calçadas reformadas e a fiação enterrada.

Design olímpico
Duas empresas australianas destacam-se no trabalho que, iniciado em 1983, ajudou a preparar Sydney como sede dos Jogos Olímpicos deste ano: a KWA Design foi responsável pelos equipamentos urbanos; a FHA Image Design concebeu a logomarca e definiu seus parâmetros de aplicação. Para a competição que começa em setembro, a cidade apostou no design e na arquitetura. A área central teve suas calçadas reformadas e a fiação enterrada.
O planejamento de uso do solo estimulou novos edifícios como extensão do espaço público. O mobiliário urbano, concebido dentro de um plano que atendeu às características locais, foi desenvolvido por firmas especializadas. A KWA Design, assina a maioria dos equipamentos: postes, lixeiras, pontos de ônibus, bancos, bancas de jornal e cabines telefônicas . As bancas são exemplo de construções de múltiplo uso, servindo para vender jornais e revistas, suvenires ou frutas, com soluções integradas para publicidade e promoção. Além disso, têm auto-suficiência em estrutura e iluminação. Sempre bem implantadas, não atrapalham a circulação de pedestres e são volumetricamente bem proporcionadas para a escala da cidade.
Os postes , modelos premiados, são detalhados a níveis extremamente sofisticados, com canaletas para encaixe de toda a sinalização necessária. Compostos por um sistema telescópico , incorporam sinalização sonora para deficientes visuais, suportes para banners, iluminação, telecomunicação, câmeras de vídeo, semáforos e sinalização urbana e de tráfego.
A nova logomarca

Após a escolha de Sydney como sede da Olimpíada, o comitê olímpico australiano enfrentou o dilema de manter ou substituir a marca utilizada para promover a candidatura da cidade. Popular, bonita e eficiente, ela já havia sido apropriada pelo público, o que reduzia as possibilidades de controle e exploração comercial. Desenhada pelo escritório inglês Minale Tattersfield & Partners, a marca explorava as linhas do edifício mais característico de Sydney, a Opera House (projetada pelo arquiteto dinamarquês Jørn Utzon). A solução encontrada envolveu um longo e polêmico processo de seleção. Dele participaram apenas dez firmas australianas pré-escolhidas, sob protesto da comunidade internacional de designers.
O vencedor foi o escritório FHA Image Design, de Melbourne, encabeçado pelo designer Richard Henderson e pelo planejador de imagem Trevor Flett. A equipe de criação contava também com os designers Ken Shadbolt e Lee Firns. Segundo Henderson, foram feitos mais de 800 estudos de marcas antes do conceito definitivo, em busca de um símbolo único que permitisse o registro e a propriedade internacional. A marca deveria ser abrangente e evocar o espírito australiano e suas manifestações culturais.
Ao contrário do Brasil, que nunca promoveu a integração da cultura nativa, na Austrália os aborígenes sempre estiveram melhor representados no panorama social. Para chegar ao símbolo da Olimpíada, os designers da FHA partiram do bumerangue , artefato internacionalmente reconhecido por sua forma e sua origem australianas. Juntos, alguns bumerangues formam uma figura atlética. Sobre eles, uma faixa que pode ser lida como o contorno da Opera House ou como o fogo da tocha olímpica. O texto artesanal remete à informalidade de Sydney e do país.
As cores primárias e as formas orgânicas são fortes e refletem a energia da Austrália. O azul é a cor olímpica e também faz menção ao porto da cidade. As aplicações, dentro dos parâmetros desenvolvidos pela FHA, incluem impressos, publicidade, sinalização, patrocínios, ambientação, merchandising, uniformes, TV e outras mídias eletrônicas. Como parte da estratégia do espírito dos jogos, foi criada uma base sobre a qual é feita a maior parte das aplicações de sinalização e os impressos. É o conjunto chamado de “energia fluida”: os anéis olímpicos refletidos no porto de Sydney, em cores suaves.
A identidade dos equipamentos olímpicos segue cartilha própria, com imagens que evocam o espírito australiano em cores e formas, mas com a estética dos autores - exemplo do Super Dome, o estádio poliesportivo da vila olímpica, da Cato Partners. O emblema é, hoje, o mais importante patrimônio dos jogos. Ele vale centenas de milhões de dólares e está definitivamente associado à Austrália. Para os australianos, a Olimpíada é, essencialmente, um evento de design. Esse conceito parece ter ficado explícito após Barcelona. Afinal, os esportes e participantes são basicamente os mesmos. O que fica é a grandiosidade da abertura, a cena da tocha, o mascote, a vila olímpica - enfim, puro design gráfico, ambiental e cenográfico.

Texto resumido a partir de reportagem de
Marcelo Aflalo
(Edição 246 - agosto 2000)
Logoescultura
 
Poste e suporte para cartazes
 
Bancos, versão sem braços
Bancos, versão com braços
Lixeiras seletivas
Suporte para
telefones públicos
 
Banca multiuso,
fechada
 

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 246

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