PERFIL

Entrevista: Metro Arquitetos

"É desafiador criar conexões entre áreas diferentes, como a arquitetura e a arte, que se alimentam mutuamente"


Da esquerda para direita: Helena Cavalheiro, Gustavo Cedroni, Marina Ioshii e Martin Corullon (Foto: Ilana Bessler)

COMO SE CARACTERIZA O PROCESSO CRIATIVO DO METRO?

Gustavo Cedroni Temos procedimentos que se repetem, como a fabricação de maquetes, a realização de estudos prévios, muita conversa, desenhos e discussões, mas cada projeto tem um modo diferente de operação. Alguns são mais coletivos, outros tem lideranças mais marcadas, seguidas pela estruturação de um time de desenvolvimento. Sempre nos perguntamos o que queremos ser e o que estamos sendo nesse momento.

E ESTÃO SATISFEITOS COM O QUE SÃO?

Martin Corullon Acho importante a nossa história de diversidade projetual, não queremos virar especialistas em nada. É desafiador criar conexões entre áreas diferentes, como a arquitetura e a arte, que se alimentam mutuamente. A necessidade do detalhamento técnico da arquitetura tem impacto na expografia e esta, por sua vez, nos permite experimentar mais nos projetos das edificações.

GC Houve um longo caminho até chegarmos à estrutura que temos hoje. Nos ressentíamos muito, quando éramos um ateliê, com o fato do escritório crescer e diminuir ao ritmo dos projetos. Em termos de equipe, isso é muito ruim. Hoje, mesmo na crise, mantemos a mesma configuração. É o nosso desejo de sermos um escritório de tamanho médio - nem pequeno demais, nem grande ao ponto de nos obrigar a fazermos coisas em que não acreditamos. Por outro lado, temos eliminado os problemas de comunicação interna. Martin e eu costumamos nos entender sem falar, mas não é assim que se administra um escritório.

CONTINUAM A PARTICIPAR DE CONCURSOS? O QUE ELES TRAZEM DE ENSINAMENTO PARA O METRO?

Helena Cavalheiro São menos constantes, atualmente. Nossa rotina já está bastante no limite.

GC Mas eu puxo muito o escritório para fazermos concursos. Sempre aprendemos com as parcerias, como a associação que fizemos (em 2012) no projeto (de candidatura de São Paulo) para as Olimpíadas, coordenado pelo Paulo (Mendes da Rocha).

MC Foi interessante o contato mais íntimo com o Una, o MMBB, o Eduardo Colonelli e o Piratininga, que já conhecíamos bem mas não tínhamos ainda tido a experiência direta do  trabalho. Aprendemos bastante. Mérito também do Paulo, que sempre foi o aglutinador desses encontros.

MUDA A FORMA DE ATUAREM NESTAS PARCERIAS?

MC No geral não, embora com o Paulo tenha a dinâmica própria dele. Aprendemos a lidar com o seu tempo e, assim, ganhamos autonomia para terminarmos os projetos. De modo geral, acho que todas as parcerias do escritório tiveram sucesso. Os projetos decolaram. 

A QUE TIPOS DE TRABALHOS PRETENDEM SE DEDICAR NO FUTURO PRÓXIMO?

MC Nos animam esses projetos urbanos que apareceram em 2013, como o Centro Aberto (parceria do Itaú com a PMSP) e a Ladeira da Barroquinha. Queremos que venham muitos mais.

GC De repente houve uma demanda forte, urbana. Pena que chegou a crise.

MC Mas ela é circunstancial. Assim como, por outro lado, também é o fato de estarmos trabalhando fora do Brasil. Vimos que não tem porque ficarmos só aqui.

Texto de Evelise Grunow| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 432
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