Opera Prima 2014

Finalistas regionais

Os demais selecionados pelos júris nas cinco regiões do concurso

REGIÃO 1

A região 1 do concurso abrange Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Foram 104 trabalhos concorrentes (31% dos participantes), analisados pelo júri composto por Gil de Camillo (MS), Paulo Henrique Paranhos (DF) e Paulo Zimbres (DF). A totalidade dos cinco finalistas foi de projetos de edificações.

O Consulado Geral da Itália (1), concebido por Giuliano Wanke Marchiorato (Universidade Positivo, Curitiba; orientador: Marcos Bertoldi Júnior), tem como característica marcante a intrínseca relação do programa (desmembrado em volumes interdependentes) com o lote acidentado. Desde a cota mais elevada, portanto, sucedem‑se o bloco cultural (que forma uma praça aberta em franco contato com o entorno), transpassado pelo volume consular, de orientação longitudinal, que, por sua vez, coroa os setores corporativos, um destes se prolongando em apêndice de uso residencial. Já o Conservatório de Música (2), de autoria de Eduardo Belusso Cecco (Universidade Positivo, Curitiba; orientador: Alexandre Ruiz da Rosa), parte do princípio da vinculação de uma operação de restauro/requalificação de edifício histórico com a ocupação de vazio existente. Com implantação em L, o projeto conecta duas ruas ortogonais, dispondo estrategicamente o programa ao longo do terreno remembrado. A existência de pátios descobertos e fachadas austeras caracteriza a proposta. De programa semelhante, a Sede Femusic (3), idealizada por Vinicius Cavasin de Souza (Centro Universitário de Maringá, PR; orientadora: Norma Eliane Jung), tem a organização a serviço do partido de criação de uma generosa praça com um marcante volume transversal e aéreo (auditório, salas de apresentação, estúdios e salas de aulas, distribuídos em quatro pavimentos). A topografia artificial - edificações laterais têm volumetria discreta, como se fossem elevações naturais do lote - desenha uma espécie de vale, coroado pelo edifício principal. Por fim, a Universidade Incondicional de Belas Artes (4), projeto de Gustavo Peters de Souza (Universidade do Vale do Itajaí, Balneário Camboriú, SC; orientador: Carlos Alberto Barbosa Souza), ocupa um terreno de miolo de quadra, através da criação de um edifício longitudinal (biblioteca), interceptado por volumes transversais (programa misto: educacional, administrativo e cultural) que fazem a conexão do complexo com as ruas do entorno.

Um dos finalistas da região, o trabalho Morar e Conviver: Arquitetura para a Terceira Idade, foi desclassificado pelo júri nacional, “por ser evidente a similaridade com projeto existente, configurando plágio”.

REGIÃO 2

São Paulo, que corresponde à região 2 do concurso, participou com 40% dos inscritos nesta edição do Opera Prima, concorrendo com 134 trabalhos. Os arquitetos César Dorfmann (RS), Roberto Simon (SC) e Rodrigo Barbieri (RS) compuseram o júri, elegendo como finalistas projetos mistos, de edificações e desenho urbano, todos de escolas da capital. O trabalho Equipamentos Públicos como Interligadores do Espaço Urbano/Uma Releitura da Orla Ferroviária (1), de autoria de Rogério Seixas (Universidade Presbiteriana Mackenzie; orientador: Pedro Nosralla Júnior), trata do redesenho de uma quadra do bairro paulistano do Ipiranga, visando ligar espaços até então segregados por causa da presença da linha férrea. O programa é o de um Centro de Arte Digital, compreendido entre as estações Mooca e Ipiranga. Um edifício de quatro pavimentos, suspenso do chão, faz a conexão física entre as duas margens da linha, amparado por remodelações no térreo e no subsolo que visam a criação de praça pública. Também a ligação de trechos estanques da cidade, nesse caso em decorrência da topografia acidentada, é o tema de Percursos no Espaço Público/Núcleo de Produção Digital + Cinemas (2), de Olavo Suniga Silva (Universidade São Judas Tadeu; orientadora: Kátia Azevedo Teixeira). Situado no bairro da Bela Vista, no centro de São Paulo, o projeto remembra lotes localizados entre duas vias com 12 metros de desnível - uma delas é a movimentada avenida 9 de Julho - e se organiza a partir de uma praça central, inserida na cota intermediária. Próximo ao local, o Complexo das Artes Cênicas do Bexiga (3), de autoria de Reginaldo Castro Moura (Fiam-Faam Centro Universitário; orientadora: Assunta Viola), é uma proposta de ampliação do Teatro Oficina (projeto de Lina Bo Bardi), complementado por espaços educativos, restaurantes, praça e nova arena. Já o CEU Pedreira (4), idealizado por Renata Sério (Escola da Cidade; orientador: José Maria de Macedo Filho), tem como propósito reestruturar o tecido local a partir da arquitetura e densidade de uso desse equipamento público, tendo o projeto a habilidade de transpor o vale através de um edifício/ponte - com programas distintos, localizados em nível e sob a via pública proposta - e de relacionar-se com a vegetação e cursos d’água que o permeiam. Desta região, o finalista Quadra Aberta Multifuncional/A Democratização do Espaço Urbano em São Paulo, de Raíssa Bahia Lopes (Universidade Presbiteriana Mackenzie), foi um dos vencedores do Opera Prima.

REGIÃO 3

Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro constituem a região 3 de julgamento do Opera Prima, que teve como jurados os arquitetos Francisco Spadoni, Marcio Kogan e Marta Moreira, de São Paulo. Foram 80 os trabalhos inscritos (23,8% do total) e, entre os cinco finalistas, dois cariocas se consagraram vencedores do concurso: Non Park, de autoria de Manuela Muller, da PUC/RJ; e Maré Fundão, de Bruno de Oliveira, da UFRJ. Os demais receberam elogios dos jurados por sua postura crítica perante deficiências dos locais de intervenção. Oficina da Cidade (1), projeto desenvolvido por Juliana Valente (Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte; orientadora: Lígia Maria Xavier Milagres), é um equipamento criado para o uso coletivo, voltado à capacitação na área de artes e ofícios e à utilização comunitária. O caráter temporário da proposta é configurado pelo material construtivo - andaimes conformam a volumetria do edifício -, que admite remodelações físicas conforme o uso: escola, apresentações culturais e oficina. Para orientar a ocupação do lote, contudo, localizado em imediações da região central de Belo Horizonte, a autora estudou opções de implantação e a disposição das edificações temporárias. Já no Rio de Janeiro, o projeto Espaço + Público: Percurso de Urbanidade no Morro da Favela (2), concebido por Honório Magalhães (Universidade Federal Fluminense, Niteroi; orientador: Gustavo de Oliveira Martins), tem como local de intervenção o morro da Providência. O conflito de interesses entre os moradores da favela e o mercado imobiliário, que tem investido juntamente com os poderes municipal, estadual e federal na requalificação urbana da área, é o pano de fundo do trabalho, que pretende prover a comunidade local de equipamentos e espaços culturais, conectados às instalações existentes. Aproveitar o teleférico, por exemplo, que teve alto índice de rejeição pelos habitantes porque suprimiu uma praça no alto do morro, serviria para interligar cotas da favela, criando-se uma rede de percursos e atividades comunitárias. As novas edificações são pautadas pela disponibilidade de locais ou construções ociosas. Mais conceitual, por fim, é o projeto de Patrícia Cioffi de Mattos (Universidade Federal de Minas Gerais; orientador: Wellington Cançado Coelho), intitulado Manual do Espaço Público (3). Trata-se de uma pesquisa sobre a configuração desses locais em Belo Horizonte sob o ponto de vista da regulamentação do seu uso (o denominado Código de Posturas, criado em 1898), contraposta à cartografia, elaborada pela autora, de iniciativas de apropriação do espaço público.

REGIÃO 4

A região 4 do Opera Prima é composta por Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Nesta edição, foram inscritos 41 projetos (12,2% do total), analisados pelos arquitetos Jô Vasconcellos (MG), Thiago Bernardes (RJ) e Gabriel Duarte (RJ). Rio Camarajipe: Conexões e Espaço Urbano por Entre Cursos d’Água (1), de autoria de Vagner Damasceno Freitas de Cerqueira (Universidade Federal da Bahia, Salvador; orientadora: Any Brito Leal Ivo), analisa a relação intrínseca do sistema hídrico com o processo de estruturação da malha urbana de Salvador e elenca diretrizes para um Plano de Recuperação da Bacia do Camarajipe. A criação de um parque linear ao longo do curso d’água é o foco do trabalho, subdividido em setores de intervenção. Para cada um deles, diagnosticado em termos de tipos de uso e densidades de ocupação, propõe-se uma ação. Da capital cearense, o projeto Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Titanzinho: A Escola Comunidade (2), concebido por Leonardo Ferreira Guimarães (Universidade Federal do Ceará; orientadora: Solange Maria de Oliveira Schramm), contempla a inserção de uma escola pública integral de ensino infantil e fundamental nas imediações da região industrial portuária do Mucuripe. A volumetria arquitetônica é conformada por pórticos curvos que envolvem a edificação. No seu interior, células suspensas e praças/caminhos contínuos interligam os vários setores. Outro finalista da região foi Coletivo: Oficinas Colaborativas na Antiga Fábrica São José (3), idealizado por Hortênsia Gadelha Maia (Universidade Federal do Ceará; orientador: Daniel Ribeiro Cardoso). A área de intervenção é o bairro de Jacarecanga, em Fortaleza, adotando-se uma fábrica têxtil em desuso para a implantação de oficinas de artes, salas de exposição e uma central de fabricação digital. O reúso de uma fábrica abandonada é igualmente o contexto do Cemitério Municipal do Lobato (4), de autoria de Lorena de Faro Valverde (Universidade Federal da Bahia; orientador: Sérgio Kopinski Ekerman). A fábrica está envolvida por encosta com densa vegetação e possui galpões e áreas abertas, que foram inter-relacionados de modo a implantar o que a autora denomina eixo imaginário do cortejo. Esse é o partido do projeto, que adota o correto tratamento dos resíduos. Dos finalistas da região, o projeto Oceanário Moinho Recife, de Maíra Ferraz Duarte (UFPE), foi um dos premiados do Opera Prima.

REGIÃO 5

26 entre os 335 projetos inscritos nesta edição do Opera Prima foram da região 5, formada pelos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Distrito Federal. Eles foram julgados por Carlos Fernando Pontual (PE), Sidney Quintela (BA) e Zeca Brandão (PE).

Três Escalas e Um Sentido: Cidade das Ciências (1), de Robson Martins da Silva Leão Júnior (Universidade Federal de Goiás, Goiânia; orientador: José Artur d’Aló Frota), trata da criação de um complexo institucional e cultural sobre as ciências, cuja área de implantação está localizada no setor norte ferroviário de Goiânia. O autor assinala que, em termos urbanos, a ideia é ampliar a mobilidade do pedestre; sob o ponto de vista paisagístico, o objetivo é reflorestar matas ciliares; e na arquitetura o partido é explicitar a relação entre o entorno e os edifícios. Já a Plataforma Criativa - Goiânia/GO (2), de Victor Moura Soares Ferreira (PUC Goiás; orientador: Frederico André Rabelo; co-orientador: Gustavo Garcia Amaral), é o projeto de um complexo corporativo e educacional relacionado ao tema da indústria criativa. O local de implantação, em Goiânia, é a Quadra 21 do Setor Central. A estratégia foi enfatizar o enquadramento horizontal das edificações e criar um eixo principal que se conecta com o setor cultural, com o vazio da quadra - uma praça -, funcionando como ponto de convergência. Também intervindo em cidade planejada, Brasília, o projeto do Touring Center/Requalificação do Edifício do Touring (3), concebido por Lucas Alex Bacelar Ferreira (Centro Universitário Unieuro, Brasília; orientador: Horia Georgescu; co‑orientador: Marcio Henriques de Souza), pretende revitalizar uma edificação projetada por Oscar Niemeyer em 1962, a sede do Touring Club do Brasil, e provê-la de atividades culturais, educativas, turísticas e de contemplação. Criou-se, portanto, um pavilhão semienterrado e recoberto por superfície verde que, trafegável, acomoda o programa no desnível de cerca de sete metros existente. Da mesma cidade, o Memorial da Música (4), concebido por Anna Luísa Portela de Deus Albano (Universidade de Brasília; orientador: Bruno Capanema), é um complexo para o convívio cultural no centro urbano da capital federal. Blocos de pequeno volume se dispersam em meio ao generoso gramado que, dessa forma, é disponibilizado para o uso da população. Já na linha transversal ao Eixo Monumental, encontra-se o edifício do centro de convenções, de maior escala construtiva. Uma marquise interliga as edificações.

O projeto Cidade dos Mortos, de André Jorge (Centro Universitário de Brasília), foi um dos vencedores do concurso.

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 420
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