Fernando Brandão: Livraria Cultura, SP

Livros para ler e folhear

O arquiteto procurou reproduzir, nos interiores da megalivraria, um ambiente de sebo, onde as pessoas se sentissem à vontade, em meio às prateleiras, para folhear e ler livros

Nessa primeira filial da Livraria Cultura, que chama a atenção por seus interiores de múltiplos ambientes, criativos e acolhedores, o proprietário desejava um perfil de megastore, sem lembrar um supermercado. Para ele, os livros devem ser a prioridade e o ambiente, confortável, atraente e propício a reuniões e bate-papos.

O escritório Fernando Brandão Arquitetura, autor dos interiores da loja matriz, no Conjunto Nacional, foi contratado com um ano de antecedência para desenvolver os estudos preliminares e teve três meses para executar o projeto. Todos os fluxos, detalhes e alternativas foram exaustivamente discutidos com a direção e os funcionários da empresa. A idéia da megastore, assim, foi sendo desenvolvida aos poucos. Para o autor, livraria não é fast-food, mas lugar de encontro, de reflexão. Ao contrário de outras lojas, os caixas não têm prioridade; são secundários e estão espalhados pelo espaço.

O projeto se destaca pelo uso intensivo da madeira, pela luminotécnica competente e pelo mobiliário de design diversificado e criativo. Cada estante de livros foi projetada separadamente, para atender às necessidades do programa. As prateleiras, de desenhos diversos, funcionam como vitrine e têm as faces laterais em vidro. Dispõem ainda de uma base de apoio para que o leitor possa folhear comodamente o livro. 

O mezanino, com estrutura metálica, é fracionado em setores interligados por passarelas. Seus pilares de sustentação ficam invisíveis, pois foram incorporados pelas prateleiras das estantes da livraria. As instalações de ar condicionado correm pelo teto, descendo para insuflamento de ar apenas em pontos estratégicos, nas áreas abaixo do mezanino. A luminotécnica utilizou wall-washers, com refletores assimétricos (iluminam as prateleiras), e lâmpadas dicróicas, que dão brilho e efeito cênico aos ambientes.

A entrada foi afastada para o interior da loja, o que ampliou o corredor e a área de vitrines, possibilitando maior visibilidade dos objetos expostos. No térreo, foi criado um espaço infantil, com gigantesca prateleira em forma de dragão, nicho para a leitura privilegiada das crianças, entre almofadas em forma de frutas. Ainda no térreo, o Café Filosófico proporciona semanalmente o encontro de pensadores com os freqüentadores da livraria. Os CDs ficam em prateleiras espalhadas por pontos diferentes da loja. 

No mezanino, há áreas de exposição de livros e bancos para descanso e leitura dos clientes, e ainda os escritórios da administração, sala de reuniões, uma sala protegida por paredes de vidro para CDs e DVDs, além de auditório para 120 pessoas. Este, com proteção acústica de camada de esponja vinílica e tubulações aparentes, é usado para lançamentos de livros, audições musicais, palestras etc.



Ficha Técnica

Livraria Cultura
Local São Paulo, SP
Projeto 1999
Conclusão da obra 2000
Área construída 3.250 m2
Arquitetura Fernando Brandão (autor); Mírian Di Matteo (coordenação); Marcelo Lagos Saavedra, Roriz Corrêa Reis Jr., Ana Paula Alípio, Maria Beatriz Franco e Maria Beatriz Machado (colaboradores) Programação visual Fernando Brandão e Carlos Matuck
Estrutura Modus
Ar condicionado Vetor
Instalações Robert King Engenharia
Luminotécnica La Lampe
Construção Verticon
Fotos Rubens Mano

Fornecedores

Abatex (divisórias)
Giroflex (mobiliário e cadeiras do auditório)
Forma (mobiliário)
Doetchnoff, Oficina Paulista de Marcenaria (marcenaria)
DL Iluminação e Wstmes (luminárias)
Inylbra (carpete)
Kives (CDs)

Texto de Éride Moura| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 250
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