Arkiz: Escritório Xiaomi Brasil, São Paulo

Desembarque no escritório

Flexibilidade e integração foram os pontos de partida para o projeto da sede da Xiaomi Brasil, desenhado pelo escritório de arquitetura Arkiz. Com o conceito de salas abertas, ambientes para o trabalho coletivo e visualidade informal, a marca instalou-se na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo.

A companhia chinesa de computação e smartphones Xiaomi começou a atuar na América Latina a partir do Brasil. Aqui, sua sede corporativa abriga os setores organizacional e administrativo, com projeto arquitetônico que enfoca a conectividade entre os funcionários. “Uma das demandas do cliente foi criarmos permeabilidade visual, contrária à noção de hierarquia do trabalho. Por mais que a empresa tivesse áreas para presidente e diretores, elas deveriam ser de fácil acesso, para não parecerem distantes”, detalha Rafael Brych, um dos titulares do Arkiz, o escritório responsável pelo projeto. Localizadas no mezanino, essas salas, por exemplo, estão integradas por divisória móvel que, quando fechada, funciona também como lousa branca.
Esse piso conta ainda com uma das três áreas chamadas de descompressão, com duas paredes compostas por nichos de madeira de diferentes tamanhos e local destinado ao descanso. “É um ambiente muito dinâmico, em constante transformação. Projetamos espaços-coringas, que têm sido utilizados pelas pessoas tanto para trabalhar, com o próprio notebook, como para fazer ligações. Desse modo, o funcionário não precisa ficar o tempo todo na mesma sala”, revela o arquiteto.
Na área onde estão os postos de trabalho, o pé-direito duplo permite a integração entre os pavimentos e os ambientes. “Todos os funcionários se sentem livres pra subir e usar todos os espaços, o que era o principal objetivo da empresa, ou seja, não segmentar e favorecer a ideia da horizontalidade”, ressalta Ana Montag, coautora do projeto. De acordo com os arquitetos, a demanda do cliente por um escritório com linguagem despojada colocou em pauta o uso de materiais não usuais em ambientes corporativos, como a telha metálica, “que remete a um contêiner, como se a empresa estivesse desembarcando no Brasil”, salienta Brych. A tonalidade intensa de laranja foi utilizada na copa, separada da área de trabalho através de anteparos de vidro. “Como eles são de vidro, a cor transborda para o escritório, mas sem interferir negativamente no trabalho”, esclarece o autor, explicando que esse detalhe contribui para a comunicação visual da marca, também desenvolvida pelo Arkiz, que inclui ideogramas chineses.
Para os arquitetos, o elemento de destaque do projeto é a escada composta por madeira, estrutura metálica e fechamento lateral em tela de polietileno, que funciona como elemento multiúso. Isso porque, conectando o térreo ao piso superior, ela se torna ainda parte do mobiliário – um banco, junto à área da recepção - e possui display com gavetas para a exibição de produtos e outros objetos. “Existe essa característica de ser várias coisas em uma só”, complementa Brych. Fator comum em projetos do setor, também o cronograma foi um dos desafios do para os autores. “Mesmo assim, desenhamos toda a marcenaria, com exceção das mesas, que são de linha industrial para agilizar a mudança”, conclui Ana.

   

Arkiz
O escritório Arkiz foi fundado em 2010, em São Paulo, pela associação dos arquitetos Alexandre Hepner (FAU/USP, 2007, e Architectural Association, 2011), João Paulo Payar e Rafael Brych (ambos formados pela FAU/Mackenzie, 2007). Ana Maria Montag (FAU/Mackenzie, 2007) colabora com o escritório desde 2013



Ficha Técnica

Escritório Xiaomi Brasil
Local São Paulo, SP
Data do início do projeto 2014
Data da conclusão da obra 2015
Área construída 290 m²
Arquitetura, Interiores e Luminotécnica Arkiz - Alexandre Hepner, João Paulo Payar, Rafael Brych e Ana Maria Montag (autores); Albert Ordeig, Denise Capalbo, Felippe Duca e Natália Martins (colaboradores)
Bombeiros 3MA
Construção Easy
Fotos Studio Thiago Henrique

Fornecedores

Alberflex, Lavore (mobiliário de escritório)
Ecowood (marcenaria)
Practica Laser (sinalização)
Fernando Jaeger, Futon Company, Tok&Stok, Oppa, Espaço Design (mobiliário do lounge)
Mana Esquadrias (serralheria)
Arquitetura da Luz, LabLuz (luminárias)
MKN (cortinas plásticas)
Kamy (tapetes)
Leo Tapeçaria (cortinas e persianas)
Tabriz (pisos)
Deca (louças e metais sanitários)

Texto de Gabriela Nunes| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 426
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