Bernardes & Jacobsen Arquitetura: Agência de publicidade MPM, São Paulo

Minimalismo resulta da ênfase em aletas e em grandes planos

Os interiores desenhados pela dupla carioca Thiago Bernardes e Paulo Jacobsen revelam o rigor da setorização funcional e o minimalismo da redução de materiais e formas simples

Agências de publicidade têm, freqüentemente, arquitetura e interiores irreverentes, coloridos e com materiais de apelo tecnológico ou lúdico. Não é esse o conceito da MPM de São Paulo, inaugurada no início do ano, no bairro do Itaim. 

A partir do térreo livre, a MPM tem seu programa setorizado aos pares, em seus seis pavimentos. A cada andar ímpar corresponde um mezanino, que acomoda salas de reuniões, direção, apoio e passarelas de visualização. Decorre desse esquema a criação de regiões com pé-direito duplo, margeando a fachada posterior do edifício, que desempenham papel de destaque nos interiores. Essas áreas sintetizam a linguagem minimalista e aconchegante criada por Bernardes e Jacobsen.

A madeira é o material protagonista, tanto nos itens de mobiliário e nas divisórias contínuas posicionadas entre ambientes, quanto nos revestimentos sobrepostos ao forro e paredes retilíneas. Todos esses elementos foram desenhados pela dupla de arquitetos.

Quando assume a forma de aletas ou baguetes, a madeira freijó tem paginação regular e harmoniosa. As dimensões dos ambientes de dupla altura, por exemplo, são delimitadas pela repetição rítmica desses elementos, com uma ripa de forro correspondendo a cada duas lâminas verticais.

Contornando o pé-direito duplo das áreas seqüenciais de estar, de atendimento e de criação, esses elementos criam certo isolamento dos ambientes que conformam em relação às salas laterais e aos espaços externos. Um desenho que se revela sintomático do caráter introspectivo que caracteriza os interiores, e que talvez resulte da inspiração que se buscou na obra do artista modernista norte-americano Donald Judd.

Também as divisórias e portas são feitas com a mesma madeira, através de planos contínuos. O resultado é a ênfase em grandes superfícies, com difícil identificação de onde termina uma e começa outra, já que não há sequer maçanetas nas portas ou interruptores nas paredes - de tal forma que a função fica subjugada pela textura homogênea e acastanhada do freijó.

Em programa reconhecido pelo trabalho noturno - freqüentemente se testemunham, através da transparência de planos envidraçados, as horas extras cumpridas nos estúdios de publicidade pela cidade -, essa indistinção proposital faz com que a agência seja efetivamente voltada aos interiores.

Assim, as fachadas de vidro têm contato mediado com os ambientes centrais, seja pela disposição dos mezaninos, das salas periféricas ou mesmo pelo ripado em paredes soltas, forros e lateral da escada helicoidal. A visualização dos exteriores, e da passagem do tempo, é apenas sugerida na maior parte das áreas de trabalho coletivo.

Reforçam tal linguagem as janelas circulares abertas na grande empena interna, que, ao longo dos seis andares, funcionam como pequenos pontos de visualização da monumental recepção envidraçada. E deriva ainda de seus desdobramentos a grande importância que assumiu a iluminação artificial nos interiores. Luminárias de piso e de teto acompanham, homogênea e discretamente, a paginação dos elementos de madeira.



Bernardes & Jacobsen Arquitetura

Paulo Jacobsen formou-se em arquitetura pela FAU/Instituto Bennett em 1997. Foi sócio de Cláudio Bernardes até 2001, ano em que este faleceu e em que seu filho Thiago Bernardes associou-se ao escritório

Texto de Evelise Grunow| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 329
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