MM18 Arquitetura: Riot Games, São Paulo

Trabalho em universo paralelo

Trabalhar em meio a brinquedos, imersos no mundo dos jogos e seus personagens, em um ambiente confortável, é o cotidiano dos funcionários da Riot Games, em São Paulo. A empresa norte-americana conta com escritórios em 14 países e há dois anos está presente na capital paulista para atender à demanda dos fãs brasileiros de sua mais importante criação: o jogo para computador League of Legends. O projeto de interiores desenvolvido pelo estúdio MM18 Arquitetura tira partido da descontração no ambiente profissional.

Escolhido para sediar a Riot, o edifício Módulo Bruxelas, em Perdizes, zona oeste da cidade, foi projetado pelo arquiteto Gui Mattos e caracteriza‑se pela fachada em cobogós brancos e pela presença marcante de varandas nas faces laterais (leia PROJETOdesign 394, dezembro de 2012). Implantado em região de topografia acidentada, o prédio tem três pavimentos mais cobertura e subsolo, e a empresa de games ocupa metade das salas do primeiro andar, todo o segundo e parte do deque da cobertura. A configuração de espaço integrado dos pavimentos foi mantida, possibilitando a criação de um layout do tipo escritório aberto, com dinâmica fluida entre as equipes de trabalho que prescinde da setorização por meio de divisórias. “Esse tipo de empresa norte-americana tem demanda de metros quadrados por funcionário maior do que o que se costuma usar no Brasil”, explica o arquiteto Marcos Paulo Caldeira, da MM18, que desenvolveu o projeto de interiores da Riot em cerca de dois meses e meio.

No entanto, foram utilizadas divisórias de vidro nas duas salas de reuniões do primeiro andar, cada qual comportando até seis pessoas. A privacidade visual é obtida através de ilustrações de personagens dos jogos adesivadas nos painéis e o conforto acústico foi garantido com a aplicação, nas paredes, de um revestimento fonoabsorvente, que minimiza a reverberação causada pelos vidros. Há outra sala de reuniões no deque da cobertura, com capacidade para até oito pessoas e qualificada pela vista panorâmica da região; para a atenuação de ruídos, ela conta com gesso acartonado acústico. Também as varandas foram envidraçadas - com o devido cuidado para não interferir na arquitetura do edifício, salientam os arquitetos -, a fim de criar as cabines de privacidade denominadas booth office, que podem abrigar encontros menos formais e atividades de descontração.

O projeto de iluminação foi pensado para demarcar a presença da laje cubeta - com nichos vazados - e do concreto aparente do edifício, com as luminárias acompanhando a própria modulação da estrutura (de modo semelhante, também foi mantido o piso elevado natural, apenas com a aplicação superficial de resina). Nesse sentido, diante da sensação inicial dos funcionários de que o resultado teria sido de excesso de luminosidade, o arquiteto assinala: “Está mudando o conceito de iluminação para quem desenha no papel. [Na Riot] eles já contam com a luz dos teclados e monitores e, sendo uma geração de jogadores de videogame, muita luz atrapalha”. Caldeira, então, revela que após a ocupação algumas lâmpadas chegaram a ser retiradas, a pedido dos usuários do espaço, e utilizaram-se películas para diminuir a claridade incidente em janelas com tamanhos extremos - muito altas ou de dimensões reduzidas -, que não admitiam persianas.

A MM18 esteve em contato com dois profissionais da Riot, responsáveis por visitar as novas sedes no mundo e estabelecer as diretrizes principais para que o projeto tivesse a sua linguagem empresarial. Uma das demandas foi a existência de um salão de descompressão, como é chamado o espaço de convivência aparelhado com monitor de 65 polegadas. Além da experimentação dos jogos de videogame, o local funciona como auditório para eventuais palestras e workshops. No mesmo ambiente, há ainda outros equipamentos de lazer, como mesa de sinuca, de pebolim, jogo de basquete, cozinha e espaço open bar, máquina de refrigerante e de comida.

A inspiração do projeto partiu do próprio universo conceitual do videogame, ambientado em um mundo de fantasia, batalhas e magia. “A ideia era absorver e entrar nesse universo. O jogo deles já tem cores e personagens marcantes, que trouxemos para o projeto, junto com a cor da empresa - um vermelho vibrante”, detalha Caldeira, resumindo que o objetivo principal foi criar ambiente agradável à permanência das pessoas.


 
MM18 Arquitetura
Mila Strauss graduou-se em 2002 pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo e deu sequência à sua formação na Universidade Politécnica da Catalunha, em Barcelona, onde estudou em 2003, tendo no período trabalhado no escritório Enric Miralles y Benedeta Tagliabue. Marcos Paulo Caldeira (FAU/Mackenzie, 2002) também cursou a escola da Catalunha. A dupla é sócia no escritório MM18 Arquitetura, constituído em 2014 como sucessor de Mila Strauss + Marcos Paulo Caldeira Arquitetos Associados.



Ficha Técnica

Riot Games
Local São Paulo, SP
Data do início do projeto 2013
Data de conclusão da obra 2013
Área construída 640 m²
Arquitetura, interiores e luminotécnica MM18 Arquitetura
Fotos Pedro Vannucchi

Fornecedores

São Judas (serralheria)
Total Reformas (elétrica, cabeamento e pintura)
Arquividros (divisórias)
STR (ar condicionado)
Reka (luminárias);
Riccó (mobiliário)
Taniguchi (marcenaria)

Texto de Gabriela Nunes| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 424
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